A beleza II


    aqui referenciei este livro. Agora, a Guerra & Paz, mantendo a actualidade do seu catálogo, publica uma tradução da obra. No número de Julho (77) da revista Os Meus Livros, assino uma recensão à edição original, da Oxford University Press, que será disponibilizada assim que a edição de Agosto estiver nas bancas. Daqui a algum tempo, far-se-á aqui a respectiva recensão à edição portuguesa.

    A Ler, finalmente

    É muito bom que a Ler seja uma 'revista como dever ser'. Acho o mesmo, Eduardo. E continuo a pensar que a provocação é um dos melhores modus operandi cá do burgo.

    Trabalhar cansa. Ou não?


    «O que poderia o leitor fazer se não estivesse a trabalhar? Nada? Embora aqui não se ofereça nenhuma sugestão para a ocupação de tempos livres, nem se faça a apologia de ‘não trabalhar’ (como n’«A Economia Parasitária», de Raoul Vaneigem, Antígona), a análise desta ‘viagem’ é extensa o suficiente para deixar qualquer um em modo de alerta acerca das suas motivações. A perspectiva é a de outros ensaios, a experiência pessoal de Botton no contacto directo com as realidades sobre que pretende reflectir. Tanto pode receber um convite de um jornal Eslovaco para assistir a uma feira sobre aviação, como visitar um pesqueiro especializado na pesca ao atum, descrever a morte do bicho com particular detalhe e forçar a analogia com a posta bem apresentada numa refeição gourmet. Tanto pode visitar um cemitério de aviões, como tentar perceber porque razão a ingestão de certos biscoitos evidencia preguiça colectiva ao nível do pensamento. Porque vai conseguir expor um argumento. A concretização de tais projectos sugere uma leitura sobre o universo das relações laborais e o seu significado. Como esta: «é verdadeiramente significativo que adultos ilustrados nos livros para crianças raramente sejam, se é que alguma vez, Directores Regionais de Vendas ou Engenheiros Civis.» O trabalho ocupa tempo, e Botton quer saber como andamos a gastá-lo.
    Título: The Pleasures and Sorrows of Work
    Autor: Alain de Botton
    Editora: Penguin Books
    Preço: €14,50
    Classificação: 5 estrelas
    Prós: Tema; enquadramento filosófico; inclusão de fotografias ilustrativas
    Contras: Nenhum»

    [texto publicado no nº 76 (Junho de 2009) da Revista Os Meus Livros]

    Uma viagem ao fim da história


    «A ideia de que Guantánamo é um dos centros na cadeia de conversão de pessoas comuns em terroristas é sinistra. Contudo, é um dos factos descritos nesta biografia das políticas interna e externa norte- americanas. A prisão, justificada ou injustificada, acaba por influenciar a ‘espiritualidade’ dos prisioneiros – que o diga Zak, o conselheiro prisional na matéria. Num relato que mistura poesia e cinema, cultura, sobre assuntos um pouco distanciados da definição etimológica da palavra, umas das partes, «viver no campo: uma semana em Guantánamo», que potencia o título do livro, igualmente filmada para um canal de televisão português, é esclarecedora da natureza ambígua de todo aquele ‘universo’, onde os presos são condicionados por categorias, com um batalhão de guardas a zelar pelos interesses agendados por Washington. O terrorismo ‘pós-moderno’ (a ‘Quarta Guerra Mundial’) é, por essa razão, alvo de uma explicação detalhada e complexa, sendo nomeados os intervenientes, as formas de financiamento, e modos como os agentes organizadores das agências de Segurança têm trabalhado para evitar a explosão de bombas. O livro inicia-se com a descrição biográfica do ‘fenómeno’ Obama, das suas políticas «friendly» e dos valores ideológicos que lhes deram origem. A verificação da análise é realizada pela reunião de depoimentos dispersos (e relacionados), textos de dimensão variável que procuram esclarecer o organigrama estadual e federal dos EUA, e a sua política de Relações Exteriores.
    Título: Obama em Guantánamo – A nova segurança americana
    Autor: Nuno Rogeiro
    Editora:
    Sextante Editora
    Preço: €19,50
    Classificação: 5 estrelas

    Prós: Rigor e pragmatismo da análise jornalística e política; apresentação de fontes bibliográficas; anexos e fotografias
    Contras: Nenhum»

    [texto publicado no nº 76 (Junho de 2009) da Revista Os Meus Livros]

    Já lá iremos


    «O uso da subjectividade é um risco assumido por Artur Portela. No caso da história de Max e do seu pai, jornalista do Heralbd, a focalização narratológica serve o propósito de evocar uma época marcada por factos históricos aparentemente ‘fictícios’: a ditadura, o «Ductor», a «Censura», na «Toma» (cidade), no interior da Istmânia (país?), que tem um muro erguido em toda a extensão da sua costa, a «Barreira». As semelhanças com a realidade são um reflexo do objectivo pretendido, e as respectivas comparações são, por isso, uma inevitabilidade. Portugal, Lisboa, Salazar, o Lápis Azul da censura, a raiva contida nos cafés, o modelo «Lá fora» que não serve cá dentro. Max combate a doença actual com a mesma determinação que o pai combateu a fita da glosa, que media cada palavra com rigor e despeito ideológico. Muitos períodos narrativos são fragmentados por outros de que decorrem. Noutros, o efeito literário é disruptivo, embora certas histórias ocorram em níveis distintos. Por exemplo, a «Guerra da Meseta», em que o pai de Max combateu uma ‘guerra de vinte anos’. O efeito parece perder um pouco de fulgor quando lido tão cruamente e à luz da contemporaneidade. Pode ser da tipologia narrativa – pequenos capítulos, variação cronológica –, mas uma sucessão de acontecimentos nas entrelinhas, que ficaram por contar, acabariam por conferir ao conjunto uma maior coesão.
    Título: A Guerra da Meseta
    Autor: Artur Portela
    Editora: Dom Quixote
    Preço: €16
    Classificação: 3,5 estrelas
    Prós: Qualidade e riqueza lexicais
    Contras: Fragmentação narrativa; frase chamativa na capa»
    [texto publicado no nº 76 (Junho de 2009) da Revista Os Meus Livros]

    Os Meus Livros - Julho de 2009


    Estás nas bancas o número 77 (de Julho) da revista Os Meus Livros. Com as habituais críticas, entrevistas (a Alexandre Vasconcelos e Sá, Director-Geral da editora espanhola Objectiva, do grupo espanhol Santillana) e um artigo que faz capa, 10 Destinos + 10 Livros, sobre os livros que nos estimulam a viajar, ou por onde viajamos sem sair de casa. E do sofá.

    É i(sto) mesmo

    Um belíssimo editorial do Martim Avillez Figueiredo. A não perder.

    WAYD #005


    Vai decorrer amanhã a quinta sessão do WAYD (What Are You Doing) -- um espaço dedicado à partilha de experiências, no qual se dá a conhecer aos membros da Ordem dos Arquitectos e ao público em geral, a actual produção arquitectónica. Ora, a dado momento, o press-release que recebi diz: «a organização quer transformar o auditório da sede «num espaço lounge, com boa música, num ambiente informal, para pensar arquitectura». Lança, assim, o mote para os arquitectos exporem publicamente os seus trabalhos.»» Para quem tinha dúvidas sobre a informalidade da ocasião e a qualidade dos 'eventos' organizados por aquitectos, fica o esclarecimento. Parece-me até possível, que escritores, sim escritores, gente ligada às Letras, passem por lá, e digam de sua justiça. Os arquitectos convidados desta vez são a dupla Telmo Cruz + Maximina Almeida. Participam, também: os arquitectos Rodrigo Germano e André Rodrigues, com o projecto Box D; Nelson Matos e Luís Miguel Correia, com o projecto Castelo Novo; e Leonor Cintra Gomes, que vai falar da sua experiência enquanto arquitecta da Administração Pública -- uma abordagem inédita nas temáticas do WAYD. Na primeira semana de cada mês, a partir das 21 horas, o auditório da Sede Nacional da Ordem dos Arquitectos transforma-se para acolher um arquitecto convidado e três participantes voluntários disponíveis para apresentar um trabalho, uma ideia, um conceito, um projecto que estejam a desenvolver no último ano. Em 13 minutos cada um revela o que anda a fazer (What Are You Doing?). A entrada é livre. Arquitectos interessados em debates futuros, podem enviar as suas propostas para o mail wayd@oasrs.org. Mais informações, aqui.

    Explosão em Itália


    Quem, como eu, ouvisse Luca Lunardini, presidente da câmara (Mayor) de Viareggio nos telejornais da manhã portugueses (e mundiais, portanto), sem ter lido ou ouvido mais nada, não acreditaria que o número de mortos, feridos e desaparecidos reais fosse tão grande. Ficaria com a ideia de que sim, de facto, um vagão explodiu, e houve quem tivesse sido afectado, mas nada de grave. Aliás, apenas a algum custo, e já no final da sua exposição, é que o dito senhor confessou estar-se perante uma tragédia. Esclarecedora, esta 'ditadura' do relativismo. Desenvolvimentos aqui, aqui, aqui e aqui.

    Livros




    Tenho entre mãos a «História das coisas banais», de Daniel Roche (Teorema), que remete para a «Lettre sur L’enthousiasme», de Shafestbury (Le Livre de Poche, Classiques de Poche). Se o primeiro é um estudo sobre a Produção e o Consumo e a Vida Corrente, o segundo é uma confissão desesperada de que uma vida entusiasmante é necessária para que não sejamos todos candidatos à depressão. Por outro lado, acabei de ler um livro extraordinário sobre o que andamos a pensar, e mais não digo, tenho na prateleira em modo de fuga para a frente – traduzindo, tens de o ler entre hoje e amanhã, senão tens um problema, um romance dual. Posso dizer também que, a reunir aos dois volumes iniciais, tenho andado a consultar e a ler nas entrelinhas, enquanto não passam ao escrutínio definitivo, «O Arquipélago de Sangue – As atrocidades cometidas pelo Ocidente em nome da Democracia e da Liberdade», de N. Chomsky e E. Herman (Ática) e, «Estética da Arquitectura», de Roger Scruton (Edições 70). Por fim, já li e reli duas vezes, «Em busca da Identidade – o desnorte», de José Gil, que tem passado um pouco despercebido. Dito isto, é natural ter pouco tempo para reflectir sobre o Primeiro Fórum do jornal i, que contou com a presença de muitos notáveis a discutir alta finança e o twitter – quem não perceber a ligação, cultive-se. A seguir, algumas considerações.

    Arquitectura japonesa na Ordem


    Está prestes a terminar um mês de programação cultural que a Ordem dos Arquitectos dedicou à arquitectura japonesa contemporânea Hoje, será ainda possível assistir a uma conferência pelo arquitecto japonês Hiroshi Sambuichi, no auditório da Sede da Ordem dos Arquitectos, em Lisboa, a partir das 19,30h. A exposição «Processo (In)visível», realizada a par, no mesmo espaço, termina amanhã e, «procura mostrar como se desenvolve um projecto de arquitectura desde a primeira ideia e necessidade até à sua construção e realização. Um processo em constante desenvolvimento que depende das necessidades do cliente, das soluções adoptadas pelo arquitecto e das diferentes entidades públicas e/ou privadas que também participam e determinam em que direcção um projecto se desenvolve.» Especialistas, curiosos e interessados são convidados a ver, participar e intervir. A entrada é livre.

    Fórum i


    Ontem estive no primeiro Fórum do jornal i, com Nassin Taleb, filósofo, autor de «O Cisne Negro», e Biz Stone, um dos co-fundadores do Twitter. Mais à frente, hei-de fazer algumas considerações mais aprofundadas sobre o que aconteceu. Quem não assistiu, pode ver toda a conferência aqui, ou ler textos e entrevistas sobre os convidados principais, aqui, aqui e aqui.

    A beleza



    Diz Roger Scruton, a beleza é importante. Sobretudo, a beleza da Arte contemporânea. Aqui, um texto do filósofo, que versa um pouco sobre o tema da sua obra mais recente: «Beauty».

    O segredo está na massa



    De vez em quando, Lisboa ruma inteira ao «Casanova». Sobretudo, ao sábado. A última vez que lá estive, com amigos, tínhamos como missão demorar o maior espaço de tempo que conseguíssemos, pelo que a cumprimos com especial eficácia. Nem foi por estar muito cheio, mas porque fizémos questão de demorar, de beber o vinho tinto da casa, servido em jarros translúcidos, de degustar as sobremesas e afins. A comida, a pizza tipicamente italiana, é verdadeiramente deliciosa e tem variações de ingredientes tão distintas como a rúcula com tomate cereja -- que nunca vi em outras pizzarias. A vista é um primor, e o preço, razoável. Tem uma das melhores esplanadas da cidade, onde por vezes é possível privar com o rio e com algumas embarcações enormes ali parqueadas. No Verão, é muito agradável beber um copo da bebida típica da casa em boa companhia com a brisa fresca a bater no rosto. Por ourto lado, o «Lucca», localizado numa transversal à Avenida de Roma, também é bom. Mas o ruído constante só permite refeições audíveis (e comestíveis), com a necessária tranquilidade, a partir das dez da noite. É o restaurante preferido da malta adolescente com hormonas pululantes. Neste caso, ter hormonas pululantes e ser adolescente é uma combinação explosiva, porque cria um ambiente ensurdecedor. Sobre restaurantes italianos, mais desenvolvimentos aqui.

    Casa da Vizinha com Ignasi Pérez Arnal


    Decorre hoje mais uma das conferências da Casa da Vizinha, intitulada «Ecomateriales», desta vez com o arquitecto espanhol Ignasi Pérez Arnal. Autor do livro «Ecoproductos, obra em que realizou uma compilação dos materiais e sistemas existentes no mercado, relacionados com um design sustentável, inovação ambiental e desenvolvimento ecológico, Arnal é um reputado estudioso sobre as questões relativas à sustentabilidade e ao desenho eficiente, co-autor, por exemplo, de «Genetic Architectures: Arquitecturas Gen Eticas». Às 21h, no auditório da Sede Nacional da Ordem dos Arquitectos (ao Cais do Sodré, edifício dos Banhos de São Paulo). A comparência de arquitectos estagiários a esta apresentação confere 1 crédito.

    Um pouco de silêncio, por favor



    Decorre a partir de hoje até 27 de Junho, em Lisboa, o «Festival do Silêncio». Uma iniciativa organizada em parceria pela editora 101 Noites, Music Box, o Goethe-Institut Portugal e o Instituto Franco-Português. Um festival dominado pela palavra, na sua dimensão artística, em que se procura reflectir sobre as possibilidades 'plásticas' do seu uso, em diferentes suportes e plataformas: do concerto à sessão de leitura de poesia, passando pela leitura encenada, pelo debate e conferência, pela música ('djeing') e vídeo sessions. Uma programação diversificada a não perder. Destaque para o debate de hoje, às 18,00h, no Goethe-Institut Portugal (no Campo dos Mártires da Pátria, n.º 37), moderado por Oriana Alves, com Auréle Kieffer, Francisco José Viegas, Kilian Kissling, Mafalda Lopes da Costa e Sandra Silva. A entrada é livre. Outros participantes são: José Luís Peixoto, Adolfo Luxúria Canibal, Olivier Rolin, Amélia Muge, Rodrigo Leão, JP Simões, Maria João Seixas e Jorge Silva Melo, entre muitos outros. Ver programação completa aqui.

    A lista de espera {actualizado}


    A justificação para os atrasos «sistémicos» nas cirurgias de doentes com cancro (no IPO) tem apenas um motivo, aliás, dois: incompetência e falta de bom senso. O relatório do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS) que hoje vai ser apresentado, em Lisboa, não deve ir tão longe na apreciação. Manterá a tonalidade 'politicamente correcta' habitual, afirmando que o número de cirurgias aumentou, embora seja ainda insuficiente, e perfazendo uma conclusão que permita a quem de direito ter uma 'directiva' oficial com indicações precisas. A fim de realizar um melhor trabalho no futuro. Admtindo ser necessário fazer melhor do que no passado, mas deixando para trás quaisquer responsabilidades sobre quem ficou pelo caminho das 'estatísticas'. Quantos são os 'hospitais privados' onde o risco «sistémico» nem se coloca? Pois. Desenvolvimentos aqui.