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Feira do Livro do Porto 2012











Começa hoje, até 17 de Junho de 2012. A  programação é mais animada do que foi em Lisboa. Mais informações aqui.

O lado simétrico do lugar
























A boa arquitectura envolve uma dimensão de pesquisa, de resolução de problemas e adequação. Prática empenhada envolve a comutação de pressupostos, reformulação de estratégias, entendimento das intenções ténues dos clientes, convocação de memórias e objectivos que passam sempre pela compreensão do lugar, do programa, dos activos financeiros disponíveis, e da sua regulação num escrupuloso orçamento, seguido à risca, sem desvios. A monografia em ‘comics’ dos Bjarke Ingels Group, é sobre esse ‘utopismo pragmático', que tanto pode incluir a construção de um edifício num lote contíguo, com nenhuma referência espacial que influencie o desenho proposto, como pode incluir a idealização de uma metodologia de análise, da grande para a pequena escala, com todos os limites reservados ao estabelecimento de uma leitura fiel daquilo que é o viver contemporâneo. Há até um projecto cuja maqueta foi encomendada num site da Lego. O livro constitui-se assim por imagens, desenhos e simulações sobre a arte de construir, tudo com balões, e legendas. Tal como uma verdadeira BD. A edição inicial aconteceu a propósito da exposição, “Yes is More – Close Up” (2009), e segue o princípio temático dado pelo título, uma derivação do ‘Less is more’, de Mies Van der Rohe, porque apresentam-se os percursos tidos pela equipa em cada projecto, desde a encomenda, extrapolação e finalização, até por vezes à sua suspensão, apesar do registo dos diferentes parâmetros e níveis da estratégia global. Se é adepto e quer perceber como pensa um arquitecto, vale a pena perder-se nos meandros da simetria, e da sua ausência. A qualidade da edição é muito elevada.

Título: Yes is More – Um Arqui-comic sobre a evolução arquitectónica
Autor: Big/AS
Editora: Taschen
Tradução: Luís Manuel Gameiro Romero
Preço: €27,90
Classificação: 5 estrelas

Prós: Design gráfico; conteúdo e abordagem; clareza e ideia  
Contras: Não tem

Dois excertos do Alentejo



















E depois temos dois vinhos que custam ambos três euros (€1,49+€1,49), com a assinatura de Aníbal Coutinho, de 2010. Os dois do Alentejo, sem que se especifiquem as castas no rótulo, o que é pena. Um tinto, outro branco, vinhos regionais.

O primeiro, de um vermelho acobreado quase carmesim, com boa intensidade à abertura, equilíbrio que parece bem fundado, alguma acidez e a cor, já disse, elegante, translúcida, bem apelativa.

Depois verifica-se o carácter, com fruta em equilíbrio estável, a pimenta que se pode referir, ténue, com uma leitura vegetal relevante, que cria algum impacto, início mais longo que o final. É um vinho novo, meio nervoso, e o doce não persiste, mantém-se no seu espaço, e o conjunto acolhe esse nível de vigor com uma complexidade que, sem ser referencial, se adequa à proposta.

A madeira, nem pensar, de fora, e o final vem conferir o início, pico de fruta madura, depois pimenta, finalmente, o bouquet que se perfila como médio, de bom preenchimento, digamos que as doses das castas escolhidas (que às cegas, poderão ser Castelão, Aragonez, Syrah e Touriga Nacional) é correcta, sem ser brilhante, com consistência suficiente para, no dia seguinte, apresentar mais fruta, sem perder características básicas.

Por outro lado temos o branco, que à abertura é completamente floral, de tangerina, citrinos (vários) e pétalas de rosa que parecem desviar-se para jasmim, ou seja, com uma conotação de fruta fresca impactante, e de cor muito atraente também, o que conjuga bem o par.

Mineral, comme il faut, um amarelo esbranquiçado que apregoa bons ventos e xisto e terra no terroir, com início e final curtos, leitura que pode ser paralela no que diz respeito à pimenta, embora muito fraca. Inicialmente estava muito fresco, e à medida que foi perdendo a temperatura, e ganhando corpo por estar mais próximo do que é concebível, demonstrou toda a sua intensidade cítrica, todo o seu esplendor de branco que se quer bebido em dias mornos.

Contudo, a complexidade, e alguma tendência que a fermentação despoletou, criaram um néctar que, se bebido, pode causar cefaleias, o que a mim me deixa algumas reservas sobre a sua qualidade. O que quer que tenha causado o problema, pode ser casual, daquela garrafa. O tempo dirá. Acompanharam pratos de carne de porco com um molho de tomate, com batatas fritas laminadas, e um peixe no forno com batatas e cenouras assadas. Sãos os vinhos da semana.

O Marxista requintado
























Shaw era irlandês. Nobelizado pela sua obra em 1925, quando já vivia do seu reconhecimento internacional, chegou à Grã-Bretanha em 1876, com o objectivo de transformar a sociedade inglesa num estado socialista. Fá-lo-ia empenhado numa mudança legislativa. O início da escrita desta história coincide com a formação do que ficou conhecido como Fabian Society, uma espécie de organização, a que reportam os seus objectivos progressistas, núcleo que veio a servir de fundamento à criação da London School of Economics e do partido Labour. E do que se trata? A dado momento, um homem, Sidney Trefusis, casado há semanas com Henrietta, decide fugir de uma vida de luxo, ansioso por voltar a uma vida de ascetismo. O desgosto faz com que Henrietta entre num declínio emocional profundo, enquanto o ex-marido surpreende, consolidando a sua veia de eremita e de defensor acérrimo do socialismo. Aliás, é essa a motivação principal para enveredar por uma ‘viagem’ de austeridade – se depois aceita o conforto, isso é outra história. O conteúdo, conhecido em 1884, é por isso, assente numa descrição que elege o ‘herói’ como lutador contra a pusilanimidade estabelecida: o capitalismo. A tonalidade autoral denota o tempo (século XIX), numa narrativa centrada na humanidade e no ser social, que confronta as convenções, ou que a estas se adapta de um modo obstinado.

Título: Um Socialista Associal
Autor: George Bernard Shaw
Editora: Quidnovi
Tradução: Jorge Almeida e Pinho
Preço: €17,99
Classificação: 4 estrelas

Prós: O teor da narrativa, repleta de detalhes e pormenores de um modo de escrita intemporal
Contras: Não tem

A partir desta semana, dar-se-á início à publicação da rubrica 'Livro da semana', que passa a constar deste espaço, com a crítica literária que permitirá a divulgação de novidades editoriais, e de outras publicações que merecerem relevância e destaque. O texto desta semana foi originalmente escrito para o número de Março de 2012 da revista Os Meus Livros, que não chegou a ser impresso.

O Vinho e o mundo Rural





Era onde devia estar, em plena Mata do Bussaco, a degustar as quatro Maravilhas da mesa da Mealhada (água na boca). Não estando (por impedimentos profissionais), aqui vai: 

 A AMPV – Associação de MunicípiosPortugueses do Vinho, vai organizar um congresso de impacto nacional sobre a temática do mundo rural e o desenvolvimento sustentável dos territórios, tendo como vector principal dessa abordagem, o vinho e toda a economia associada a este sector. 
  
Para que o congresso tenha o maior alcance possível prático, serão desenvolvidas a partir de 2012, 10 fóruns regionais de debate por todas as regiões do país, incluindo ilhas.

O Conselho Executivo do Congresso é composto pelas seguintes entidades: CAP - Confederação dos Agricultores de Portugal, Minha Terra – Federação Portuguesa de Associações de Desenvolvimento Local; FENADEGAS – Federação Nacional de Adegas Portuguesas, Fundação da Mata do Buçaco,  IVV – Instituto da Vinha e do Vinho, ANDOVI – Associação Nacional Denominações de Origem Vitivinícolas e o CNEMA – Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas.

Este grupo definiu cinco temas de discussão para os fóruns, cujo objectivo é serem espaços de debate e opinião das realidades e especificidades de cada região. Ao todo, estão envolvidas cerca de 90 entidades que irão dinamizar a reflexão sobre os temas sugerido, a saber:

·         Novos Desafios do Mundo Rural, Ensino e a Inovação;
·         Vinho e Economia Sustentável
·         Vinho, Gastronomia e Turismo
·         Vinho e Comunicação;
·         Vinho, Autarquias e Agentes Locais.

A data do Congresso é 11 de Junho de 2013, durante a 50ª Feira da Agricultura no CNEMA (Santarém), e onde serão apresentadas as conclusões dos 10 fóruns Regionais, reflectindo um país rural real, e profundamente ligado à cultura do vinho.

As temáticas serão abordadas por especialistas, sugerindo linhas de acção e orientações de apoio ao mundo rural, de forma a tornar este sector mais competitivo, quer no mercado europeu quer no mercado global e atractivo ao investimento.

Palavras para quê! Vai ser uma ocasião especial de entendimento, apresentação e compreensão da natureza de um país, dos pressupostos que conferem essa identidade à paisagem, de Norte a Sul, e ao valor patrimonial de uma actividade essencial para o bem-estar de pessoas e territórios.

Sobremesa em forma de tinto
























Uma colheita é uma colheita e pronto. Quando as uvas passam pelo desengace, e o mosto ‘dorme’, e a fermentação tem início, pouco há a fazer. Ou muito. Por vezes, fazer muito é fazer pouco, é deixar o vinho tomar o seu caminho. Realizar o seu percurso. Ficar quieto. No caso desta semana, Félix Rocha Colheita 2009 (Quinta da Ribeira, Sociedade Agrícola Félix Rocha, Vinho Regional de Lisboa, Alenquer), parece que se fez mais alguma coisa. Vamos ver se boa, neste vinho premiado com Prata no Concurso Nacional de Vinhos de 2011.

Comecemos pela constituição. Aragonez (95%), uma casta bem generosa, e Merlot (5%), a mais cultivada em França, também considerada por alguns como a ‘outra’ casta tinta dos vinhos Bordeaux. A esta conotação ‘estrangeira’, temos uma marcação solene dada pelo facto de estarmos perante um vinho da região de Lisboa (Tejo), com todas as suas especificidades.

Uma rolha cheia, de uma intensidade vegetal bem delineada, com uma formação idêntica de madeira, aspira-se e invade os poros. As notas de fruta madura surgem depois, como que cercando as notas anteriores. Depois de vertido e abanado decentemente, espessura mais que muita, um vinho muito aromático, a perceber-se uma acidez reduzida, uma cor encarnada pastel, encorpado, com mais qualquer coisa.

Que a prova deixa nas papilas gustativas. A pimenta, nos primeiros momentos, o início curto, um final longo, oleoso, denunciando uma textura macia, um veludo com fruta preta (ameixa, groselha), o vegetal que confirma (em alecrim e azeitona bem temperada), com os aromas doces a tornarem-se preponderantes.

É que os taninos redondos, a intensidade vegetal e alguma aspereza do couro são, na primeira prova, absolutamente opacos por um carácter tão frutado, doce, mas um doce que impregna a boca como uma sobremesa. Digamos que é demasiada fruta para ser verdade, o que lhe confere um nível exagerado, quase forçado, de doce. Enjoativo. Embora o nariz e a segunda prova indiquem outra direcção, e a acidez, de facto, se confirme ausente.

Claro que as notas mais caramelizadas, da baunilha (madeira) e do coco, predominam, só que a fruta mencionada parece indefinida apenas no açúcar. À segunda prova esses factores diminuem em presença, e o teor vegetal ganha maior fulgor. Contudo, o doce deixa de ser ‘seda’, para se manifestar de forma paralela numa amálgama estranha, e neste instante a possibilidade de se tornar numa proposta muito relevante, esbate-se. É uma paridade que resulta numa ruptura. Muito Novo Mundo. Talvez excessivo, embora haja quem aprecie muitíssimo, e a vertente 'bom com sobremesas' seja realmente relevante porque até consegue anular o doce. É o vinho da semana.

Comer no México



















A razão da comida mexicana ser tão importante para os norte-americanos.

"Exit 132 off Interstate 29 in Brookings, South Dakota, offers two possibilities. A right turn will take drivers through miles of farms, flatland that stretches to the horizon, cut up into grids by country roads and picturesque barns—a scenic route to nowhere in heartland America. But take a left at the light, and you wind up coasting through a college town of 19,000 that’s more than 95 percent white. The city’s small Latino minority—less than 1 percent of the population—is mostly students or faculty members passing though South Dakota State University. It was here, in late 2009, that I experienced an epiphany about Mexican food in the United States."

Aqui.

Pholiphonia Signature 2008 - Granadeiro
























O painel de provadores do 19º Concours Mondial de Bruxelles 2012 foi generoso com Portugal. O melhor tinto do mundo é alentejano, da família Granadeiro - Monte dos Perdigões, e chama-se Pholiphonia Signature 2008. Mais informações sobre a quinta, aqui e aqui.



Nova webpage











O novo sítio da Balthazar Aroso arquitectos já está online. Aqui.

2 = 1 no Grande Hotel das Caldas da Felgueira



















O Grande Hotel das Caldas da Felgueira, em Canas de Senhorim (Nelas), e a revista Nova Gente estão a realizar uma parceria. Na compra de qualquer Programa de 5 dias (Anti-stress, Tonificante, Celulite Zero, Reafirmante ou Hidratante de Renovador de Rosto), oferece o Programa Duo Hidratante 5 ao acompanhante do portador do exemplar da Nova Gente Saúde e Beleza. Esta oferta é válida até 30 de Junho de 2013, para acompanhantes ao cliente, alojados em quarto duplo, em regime de meia pensão. Mais informações e contactos, aqui.


Novidades editoriais entre a poesia e a ilustração

Algumas novidades da Esfera do Caos.





Concours Mondial de Bruxelles 2012 premeia Herdade das Servas


























A Herdade das Servas – projecto da família Serrano Mira, viu reconhecido o seu esforço de ampliação da qualidade dos vinhos da casa, com a atribuição da medalha de ouro no 19º Concours Mondial de Bruxelles 2012, que decorreu em Guimarães entre os dias 4 e 6 de Maio. Os vinhos premiados foram o ‘Herdade das Servas Touriga Nacional tinto 2008’ e o ‘Monte das Servas Colheita Seleccionada tinto 2009'.

O primeiro, é um topo de gama, tem um p.v.p. recomendado de €15, e assenta a sua prestação numa cor violeta escuro, em aromas florais, frutos pretos bem maduros, e sabor intenso, macio, com taninos robustos. O segundo, uma escolha com p.v.p. recomendado mais acessível, a rondar os €7,67, é um vinho de gama média, com uma cor rubi escura, aromas profundos, e resulta da combinação de quatro castas: Touriga Nacional (40%), Alicante Bouschet (25%), Aragonez (20%) e Trincadeira (15%).












O painel de provadores internacionais que analisou os vinhos disponíveis, foi constituído por membros de 48 países, o que só credibiliza a notação. Carlos e Luís Serrano Mira, manifestaram a sua satisfação com a distinção. “O facto do Concurso Mundial de Bruxelas ser um dos maiores concursos de vinho do mundo e de ter por objectivo distinguir vinhos de qualidade e ajudar consumidores e profissionais na tarefa de escolher um vinho entre as milhares de referências existentes no mercado faz com que estejamos orgulhosos. Toda a equipa da Herdade das Servas e os nossos vinhos estão de parabéns."

Bolsas de estudo Corticeira Amorim & WSET



















A Corticeira Amorim transforma produtos de cortiça, e gera um volume de negócios superior a 495 milhões de euros em 103 países. Junto com as suas subsidiárias, mantêm a procura daquela matéria-prima como um elemento fundamental da economia portuguesa, e mundial - facto que contribui também para a preservação da biodiversidade no Alentejo e outras zonas onde a paisagem 'horizontal' depende da remoção controlada daquele produto. 

A propósito desta área de negócio, e como complemento efectivo da sua estratégia no que diz respeito à educação e formação no negócio da cortiça e dos vinhos, a Corticeira Amorim associou-se ao Wine & Spirit Education Trust (WSET), uma instituição bastante conceituada de ensino, baseada no Reino Unido e especializada em formação técnica de vinho e bebidas espirituosas.

Esta parceria inclui o financiamento integral de duas bolsas de estudo para licenciados do WSET - um britânico e um seleccionado da lista de estudantes internacionais que frequentam a instituição -, e prevê a visita a Portugal, onde os estudantes terão oportunidade de contactar com a singularidade da indústria da cortiça e o seu papel na qualidade e percepção do vinho. Passarão, por exemplo, pela experiência do descortiçamento, e pelos laboratórios de I&D. 

O objectivo, diz Ian Harris, CEO da WSET, 'é dar aos alunos uma perspectiva transversal da indústria do vinho e dos vedantes'. "Esta parceria permite uma introspecção valiosa à indústria da cortiça.” Carlos de Jesus, director de Marketing e Comunicação da Corticeira Amorim, refere também que 'esta será uma oportunidade excelente para o contacto da próxima geração de profissionais do sector vinícola, dando-lhes a conhecer as imbatíveis credenciais técnicas e de sustentabilidade do vedante natural."

Os vencedores das primeiras bolsas de estudo contempladas nesta parceria serão seleccionados em Novembro, e anunciados na cerimónia dos WSET Awards & Graduation, no dia 21 de Janeiro de 2013.
 

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