E depois temos dois vinhos que custam ambos três euros (€1,49+€1,49),
com a assinatura de Aníbal Coutinho, de 2010. Os dois do Alentejo, sem que se
especifiquem as castas no rótulo, o que é pena. Um tinto, outro branco, vinhos regionais.
O primeiro, de um vermelho acobreado quase carmesim, com boa
intensidade à abertura, equilíbrio que parece bem fundado, alguma acidez e a
cor, já disse, elegante, translúcida, bem apelativa.
Depois verifica-se o carácter, com fruta em equilíbrio
estável, a pimenta que se pode referir, ténue, com uma leitura vegetal
relevante, que cria algum impacto, início mais longo que o final. É um vinho
novo, meio nervoso, e o doce não persiste, mantém-se no seu espaço, e o
conjunto acolhe esse nível de vigor com uma complexidade que, sem ser referencial,
se adequa à proposta.
A madeira, nem pensar, de fora, e o final vem conferir o
início, pico de fruta madura, depois pimenta, finalmente, o bouquet que se
perfila como médio, de bom preenchimento, digamos que as doses das castas
escolhidas (que às cegas, poderão ser Castelão, Aragonez, Syrah e Touriga
Nacional) é correcta, sem ser brilhante, com consistência suficiente para, no
dia seguinte, apresentar mais fruta, sem perder características básicas.
Por outro lado temos o branco, que à abertura é
completamente floral, de tangerina, citrinos (vários) e pétalas de rosa que
parecem desviar-se para jasmim, ou seja, com uma conotação de fruta fresca
impactante, e de cor muito atraente também, o que conjuga bem o par.
Mineral, comme il faut, um amarelo esbranquiçado que apregoa
bons ventos e xisto e terra no terroir, com início e final curtos, leitura que
pode ser paralela no que diz respeito à pimenta, embora muito fraca.
Inicialmente estava muito fresco, e à medida que foi perdendo a temperatura, e
ganhando corpo por estar mais próximo do que é concebível, demonstrou toda a
sua intensidade cítrica, todo o seu esplendor de branco que se quer bebido em
dias mornos.
Contudo, a complexidade, e alguma tendência que a
fermentação despoletou, criaram um néctar que, se bebido, pode causar cefaleias,
o que a mim me deixa algumas reservas sobre a sua qualidade. O que quer que
tenha causado o problema, pode ser casual, daquela garrafa. O tempo dirá.
Acompanharam pratos de carne de porco com um molho de tomate, com batatas
fritas laminadas, e um peixe no forno com batatas e cenouras assadas. Sãos os
vinhos da semana.