Quando abria a LER na década de 90 (a Primeira Série), aprendia e debatia-me com questões literárias para mim desconhecidas que acabavam por tornar-se pertinentes. Era um verdadeiro prazer comprá-la e lê-la com demora porque os conteúdos eram primordialmente eruditos e apresentados com grande qualidade. O papel pardo, as capas arriscadas, as pranchas de BD da última página, os design vintage, as cores pastel e o risco corrido quer pelo Director, Francisco José Viegas, quer pelos colaboradores, era evidente. Marcou-me especialmente uma das viagens em reportagem ao México, com fotografias do João Francisco Vilhena. A LER de hoje vale um décimo da LER dos anos 90, ou nem isso, e posso começar por referir o tipo de papel que torna ilegível a leitura pelos inúmeros reflexos que a luz cria. Compreendo a adaptação aos tempos contemporâneos e à 'evolução' da edição de revistas, que se presta pouco ao ensaio puro e duro, ao design que confere identidade, e a muitas outras coisas, por exemplo, a uma estrutura editorial flexível, uma vez que vivemos momentos de divulgação e massificação da cultura em que a redução de custos e a crise justificam quase tudo -- na minha opinião, sem dinheiro é impossível fazer-se boa edição, e isso tem tido custos, pelo decréscimo de qualidade dos jornais e revistas, a que também não é alheia a existência da internet e da blogosfera. O que não se compreende é que a equipa que relançou a revista LER -- por sinal, com o mesmo director e alguns habitués das páginas da Primeira Série -- essa equipa se tenha apropriado tão visivelmente do slogan de uma outra 'revista sobre livros', a Os Meus Livros, e plagie sem qualquer pudor uma estrutura editorial, como se a erudição latente valesse mais do que... os escrúpulos. Pior, ninguém refere o facto. Toda a gente se cala à espera que a coisa passe despercebida, facto para mim incompreensível e bastante perturbador. Aliás, recordo com especial carinho o que José Mário Silva escreveu no seu blogue Bibliotecário de Babel, a propósito do mencionado no site da revista OML um ou dois meses depois do re-lançamento da LER, entretanto corrigido. Revela o quê? Pequenez. E que 'já era tempo' de fazerem pela vida com alguma autonomia. Como dantes. É mentira? Imaginação minha? Balelas. A suposta erudição (cada vez menos sustentável) é agora complementada com inéditos, pré-publicações, extractos, um ror de críticas em tamanho grande e em 'rodapé', e até há uma secção denominada «Leituras Miúdas». É abrir a OML e comparar. Interessante, para não dizer paradigmático, a página «No Sofá da Ler», e fico-me por aqui, para não ser acusado de obsessivo e maníaco, pois no campo das ideias uma contra-argumentação seria tão relativa quanto a abstracção do argumento, 'pois toda a gente pode ter a mesma ideia e há sofás de sobra para quem quiser sentar-se e blá, blá, blá'. O que, neste momento, diferencia as duas revistas, é a manifestação freudiana de egos a que a LER se presta e fomenta, com a inclusão de sucessivas 'colunas de opinião' de qualidade irregular (na OML isso não acontece), o editorial de duas páginas do director, que na OML é apenas de um ou dois parágrafos, e a entrevista, que tem sempre 30,000 a 40,000 caracteres. Moral da história? Queria apenas referenciar o sucedido depois de um bom número de edições da Segunda Série, porque em Portugal a cópia, o plágio e a recuperação de ideias dos outros são considerados um mal menor. Apesar da prática ser frequente. Durante o período em que a LER esteve off, por culpa da negação profissional de quem a deixou definhar, foi a OML que se manteve nas bancas, com prejuízo, a prestar-se ao papel de revista sobre livros. Nesses dias, a edição da LER era brilhantemente delapidada por questões desconhecidas. Mas para os senhores das livrarias, o desaparecimento também é porreiro, porque se apraz à nostalgia ou lá o que é. Só assim se justifica que a LER esteja quase sempre em destaque nas prateleiras das livrarias e a Os Meus Livros seja relegada para um canto. Coisas da vida.
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