Geometria da rede

















A cidade é um lugar de convivência e de conveniências. Tolera-se aquilo que é possível, dá-se tréguas ao que parece aceitável, apreende-se em grau superlativo os detalhes que constituem a confirmação de uma identidade. Coisa importante. Apesar de substituirmos as células do corpo por outras, e dessa regeneração actuar no corpo dotando-o de alguma maturidade, a funcionalidade continua a ser a moeda de troca para acolher as mudanças implícitas nesse percurso que assimilamos. Desconhecidos que convivem com outros desconhecidos, absorvem esta proximidade literal, em que a cidade se desenvolve para além das falências pessoais de quem vive nela. A cidade contínua parece querer ligar-se, e é essa a razão das grandes áreas metropolitanas serem cada vez mais analisadas, estudadas e pensadas como um tudo, em vez de parcialmente, mediante o crescente de ligações, sejam rodoviárias, de transportes, ou outras. Os circuitos em torno do desenvolvimento destas cidades, parecem, em Portugal, carentes de características dominantes óbvias que aumentem a funcionalidade da rede. O favorecimento da articulação dessa para as pessoas que a usam. O constante acumular de burocracia, de espaçamentos virtuais que diminuem a eficiência, contribui para que este grande grupo objectivo de necessidades seja, por fim, visto como uma coisa distante a que se quer aspirar, com o tempo que a velocidade a que se anda a impedir de se concorrer para realiza os necessários ajustes. É nesta atmosfera, neste espaço de ‘entreexpressão’, do jogo entre a tradição (o apego ao uso anterior) e o Novo, que se preconizam as turbulências que assinalam as fugas para a frente, os silêncios agonizantes, a histeria decadente. A concepção volátil destes jogos entre os espaços usados, e por usar, adquiridos e desprezados, adoptados (as hortas públicas) e reagrupados, contrapõe-se com a desconfiança do desconhecido. Complicam-se as ligações da rede, embora se pudessem simplificar mais, ligando mais pontos-chave, isto é, tornando a adesão ao processo de renovação mais simples, relacionado as partes, os objectivos e iconografias. Por hora, é o que temos. «A verdadeira sabedoria é que grita na própria rua. Nas praças públicas está emitindo a sua voz. Clama na extremidade superior das ruas barulhentas. Às entradas dos portões da cidade diz as suas próprias declarações.» (Provérbios 1:20,21)