Um comportamento elevado
























Fazer nenhum. Nada. Niente. Népia. Noticia o Público, a 17 de Junho, que a preguiça, a capacidade de estar um período de tempo, seja curto, seja mais longo, sem fazer nada, faz bem à saúde. Não é bem estar sem fazer nada, mas já lá vamos. A formação do Clube de Nadismo é da responsabilidade de um brasileiro de São Paulo, Marcelo Bohrer, que entrou num quadro clínico complexo, denominado síndrome de Burnout. Uma espécie de doença psicológica motivada pelo excesso de trabalho, que faz a pessoa perder o interesse e a motivação, tudo provocado por se atingir um grau de exaustão física extremo. A recuperação é possível. Ora bem, haveriam motivos suficientes para alguém se especializar na capacidade de fazer da preguiça um dever, nem era necessário chegar à exaustão extrema. Quer dizer, pense-se na praia, na esplanada com vista sobre o mar, calmo e agitado, o som abafado das vozes sobre a areia, a brisa a correr sobre uma belíssima caipiroska gelada, a lima a sobressair. Uma necessidade, como está bom de ver. Até a explicação mais elaborada de que o nadismo não é bem não fazer nada se admite, por ser a não vontade de fazer algo que, por vezes, pode resultar em fazer nenhum. Complicado? Tudo o que tem a ver com a recomendação do silêncio e da decência tem os seus ditames. As suas regras. São necessários vastos conhecimentos. Uma inteligência de acordo. Há uma linha ténue que distingue o nadismo da indolência. 'Criar espaços vazios no meio do trabalho e compromissos.' Independentemente das interpretações teóricas sobre o assunto, a preguiça é definida em latim como a capacidade de se ser lento, ou vagaroso, em alguma coisa demorada e duradoura, capacidade que os gregos também enunciavam adequada a um dos seus deuses, Hipnos, o deus do sono. Saber demonstrar uma certa serenidade, acaba por fazer do cidadão uma pessoa mais culta, uma ideia forte e bombástica. É bom pensar assim. Sobretudo, porque o que está aqui em causa é terem-se boas maneiras.  Ter um comportamento correspondente à nobre 'extracção' de cada um. Convenientemente, nada como um pouco de paz.