Terras de Bárrios Tinto - Reserva 2007












Quando se passa pela região da Bairrada, na Beira Litoral, percebem-se duas coisas. Que as explorações agrícolas são pequenas, que a paisagem se afirma como elementar, e a proximidade do mar dita muitas condicionantes que provêm da ventania atlântica. Quem ali produz, fá-lo para dar às Cooperativas o seu produto, sobretudo da casta Baga, que depois transforma o resultado em produção própria, que varia entre tintos ácidos e brancos bastante aromáticos. É o caso da Adega do Vilarinho.
O caso deste tinto tem que se lhe diga. É um Reserva, de achamento difícil, muito forte na acidez, com um grau alcoólico de 13%. Embora assim seja, a leveza especial de um verniz de madeira, com notas muito aromáticas, persiste. E o mais interessante, num néctar que precisa de mais tempo de garrafa, e de tempo de abertura, para apreciação completa, são as notas vegetais.

Forte e intensa nota de azeitona, de folhas de árvores, sobretudo no nariz, porque na boca, a particularidade de um final longo, permite apreciar algumas ténues referências de conotação frutada, de frutos do bosque, com um amargo que se complementa com os excelentes taninos.
A partir da terceira hora depois de aberto, passa a ser mais redondo, equilibrado, e o blend – não referido –, contrai-se um pouco, sem no entanto perder identidade. É preciso voltar a repetir isto: de facto, a azeitona, talvez porque os solos tiveram oliveiras plantadas, é uma espécie de fruto generoso, que se faz sentir de uma maneira absolutamente avassaladora. Sem contemplações.

O tom fresco inicial, que se mantém, as notas de madeira que denunciam estágio, no palato, e a acentuação fortíssima da cor vermelha, esbatida, denota uma fluidez aquosa muito agradável, que apenas combina com pratos de carne pesadas, ou pelo menos, tratadas como tal, como o borrego, a carne de vaca em posta larga e espessa, ou a galinha rija que precisa de tratamento na panela de pressão, neste caso uma carne branca, com os seus elementares sucos.
Resumindo, um vinho para apreciadores de azeite, o que parecendo estranho, diz muito da multiplicidade de sabores, odores e leque transversal de potencial que as terras têm no que diz respeito a ‘construir’ um vinho, a fazer o blend – que neste caso poderá incluir algumas vinhas velhas. Nota final para o rótulo, de muito bom gosto, e para o paladar a tomilho, acentuado na prova inicial, e que se esfuma nas horas seguintes. É o vinho da semana.