Uma questão de termos














O comércio a retalho das empresas médias, pequenas e micro, está a perder terreno e clientes em toda a Península Ibérica. Será uma depuração pelo excesso de oferta fornecido pelas mercearias de bairro? Nada disso. O comércio de proximidade é aquele que promove melhor o interesse dos produtores, que assim não são esmagados por margens de lucro ridículas, de que não se pode viver. E que promove também o interesse do consumidor, que pode ter acesso a melhores produtos e a um tratamento dedicado. No mercado português, mais do que no espanhol, a autorregulação é um epíteto para designar o favorecimento de quem pode implementar uma estratégia comercial alargada que mina a capacidade individual dos pequenos distribuidores. Se em outros lugares, essa distopia tem um menor impacto, porque o abstracionismo da capacidade individual não existe, e a iniciativa privada tem um impacto positivo nas economias, para além de haver outros hábitos, num sítio onde o empreendedorismo é um adjectivo, o impacto da desregulação é muito maior. O trilho percorrido vai, por essa razão, originar um movimento (de recursos) contrário ao desejado pelo interesse colectivo, e muito amplamente direcionado. O fenómeno das grandes superfícies quererem aceder ao negócio, em regime de 'franchising'  surpreende-me, porque é estranho que os especialistas num determinado modo de negócio, se queiram também especializar em outro, com características abolsutamente distintas, díspares, até opostas, e o façam ao mesmo tempo que quem 'sabe' fecha portas. Embora pareça um contrassenso, a verdade é que o tipo de comércio que desfavorece os clientes, e oferece produtos de valor e qualidade duvidosos, ganha espaço todos os dias. Vá se lá entender o fenómeno.