Depois de semear
















Há um novo fôlego na agricultura portuguesa, vamos ver é até quando persiste. Se o processo fosse normal, isto é, se a maior parte de quem cava o tivesse feito até agora, o desequilíbrio motivado pela falta de produtos nunca teria sido atingido. Mas foi. E de que maneira. É injustificável o preço actual de uma alface: €1,8, ou pior, e nem quero pensar nas ‘biológicas’. Qualquer coisa como $380,00 escudos. Quem é que em 1999 dava mais de cinquenta escudos por uma? Quando leio sobre Gonçalo Ribeiro Telles, arquitecto finalmente agraciado, que anda a dizer o mesmo há 30 anos, que as alfaces que comemos deveriam ser produzidas cá, não deveriam vir de avião aos trambolhões de outro país da Europa, ou do mundo, fico contente, embora inquieto com a predileção de quem o elege agora, agora, como interlocutor privilegiado sobre a temáatica agrícula. É preciso despudor, por um lado (sobre o que é que se andava a escrever há cinco anos?), mas mais vale tarde do que nunca, por outro. Valha-nos a capacidade de improvisação a que vamos assistir, e posso constatar que, num espaço curto de dois meses, os campos, a terra, têm andado a ser arados como nunca. Os sulcos confirmam-no.

(nota: a fotografia é, muito apropriadamente, de um campo grego. Amanhã publico uma de um campo luso.)