Insolvência CESodilivros é um problema cultural


















Recebo um comunicado da Antígona (editora), nuns termos que denunciam o desespero, e a maldade que lhes tem sido realizada (e à Orfeu Negro, e a mais não sei quantas editoras), a propósito da insolvência da CESodilivros - recentemente deferida por um tribunal. E acrescento, em jeito de transcrição, que este jornal, e este, e este, e este, e este, e este, e este, e este, e este, e podia continuar, e estes canais de televisão, RTP, SIC, TVI, desconhecem quem é a CESodilivros, a maior distribuidora de livros em Portugal, no mercado há mais de vinte anos. Desconhecem também quem são os senhores José da Ponte e João Salgado, administradores da mesma empresa, o segundo, patrão da mesma, e proprietário maioritário da Coimbra Editora. Despercebem também que a propriedade da revista Os Meus Livros foi alienada e afecta à CESodilivros pouco tempo antes da mesma ser suspensa (no número de Março de 2012), e deste pedido de insolvência sobre a empresa que administram ter sido realizado. E que quase todas as distribuidoras de livros faliram nos últimos trinta anos. Até agora, nada foi referido na imprensa escrita e nos meios televisivos, a não ser neste jornal aqui, da Madeira (o que é paradoxal), e em blogues e outros espaços cujos critérios editoriais dependem exclusivamente dos seus autores. Tirem-se as ilações necessárias sobre a credibilidade dos critérios editoriais activos em bardo por essa imprensa afora, mesmo da chamada imprensa especializada, quando estão envolvidos patrões, amigos de jornalistas e gente com meios; sobre a agilidade empresarial dos envolvidos quando o objectivo pretendido é deixar as dívidas sem patrono, digamos assim, a fornecedores, editoras e colaboradores, no valor de cerca de €9,000,000 (nove milhões de euros); ou sobre a incapacidade de se agir a favor, e para protecção, de pessoas que se especializaram no trabalho de ler e escrever sobre livros e, já agora, do património material que representa uma revista como a OML, e todas as outras editoras que ficam agora a arcar com o prejuízo, por sua conta e risco. Se este espaço fosse um jornal, poderia agora aparecer naquela página do "Portugal no seu melhor", a fotografia da parelha, com óculos gigantes com lentes de fundo de garrafa, a propósito da sua tremenda miopia.