Iluminando o arquivo












Quem pensa em cinema, pensa sempre nas suas referências ao nível da cinematografia? Nem sempre. Essa definição é um pouco abstracta. Há, porém, uma idade onde as idas ao cinema são muito frequentes. A idade traduz selectividade. E é de uma selecção que se trata aqui. Cem películas bem trabalhadas, autênticos espelhos que dominam a arte de conseguir realizar o electivo ‘suspension of disbeliefe’, numa escolha que é uma ‘escola’, uma determinada maneira de ver o cinema, aquele período de tempo em que a ficção se sobrepõe à realidade, e porque não dizer, à razão. Isto por alguém a quem o cinema diz muito. Filmes há, mencionados, que poderão ser eleitos apenas por uma geração. Neste ‘freeze’, que enumera grupos por temas, que poderão ser vistos por motivos distintos, cada caso é um caso, perfeitamente justificado com um texto curto de enquadramento (literal e subjectivo). Com bom humor e ausência de pretensão. Cem filmes para, ‘Vencer na vida, Ser melhor pai ou mãe, Saber perdoar, Aprender de vez a respeitar a Natureza, entre outras hipóteses. Porque se quer ver um Clássico sobre o amor e a guerra, porque se ambiciona entender o efeito que o visionamento compulsivo de um conjunto de preciosidades da sétima arte sobre a capacidade de manejar a stress. Ou, simplesmente, porque é essencial compreender como um filme pode apropriar-se de uma vida, e a vida de um filme. Sem querer exagerar na convergência para que o título confere, de que os filmes podem mudar mentalidades (dificilmente), a verdade é que determinadas performances, textos (os guiões), presenças no grande écran, comportam uma vigência tangencial que inclui uma concepção da realidade. A principal função do cinema, contudo, é outra. Apropriar-se do momento real de quem vê, dizer-lhe aos ouvidos que durante aqueles momentos basta observar atentamente aquela história. É também disto que este livro de Rui Pedro Tendinha trata. De tantas e tão diversas, disparatadas, por vezes incoerentes a ponto de se sublimarem na parvoíce, ou na ternura, de histórias contadas com um grande rigor. O autor contamina as suas divagações sobre o cinema, elegendo os momentos chave que considera terem valor suficiente para constar do léxico de qualquer mortal - o arquivo. Se é verdade que alguns capítulos temáticos podiam nem constar (a aí estamos no plano – 'elásse' – da opinião e do gosto), também não é mentira nenhuma que alguns irão consultar o índice para debaterem os olhos no processo criativo que têm ignorando com candura, por serem novidades de que desconfiam, por serem filmes tão antigos que o pó os fez ficar no rol do esquecimento. Esta é uma boa maneira de se lhes prestar detida atenção.
Título: 100 Filmes que podem mudar a sua vida - O livro de autoajuda de Hollywood
Autor: Rui Pedro Tendinha
Editora: Oficina do Livro
Classifiação: 4 estrelas