A 'cura'
























A entrada do Grande Hotel das Caldas da Felgueira, em Canas de Senhorim, próximo de Nelas

Portugal tem na qualidade dos seus aquíferos um nicho de mercado, e embora a moda de ir às termas se tenha perdido no passado, há sinais de recuperação. Cada vez mais jovens começam a optar por este tipo de tratamentos, que deixaram de ser conotados como, ‘para doentes’. Uma semana intensa de bem-estar pode implicar um investimento razoável, é verdade, mas os níveis de recuperação são tão plenos quanto a quantia empregue. São inestimáveis, porquanto nada fazer senão comer, dormir e mergulhar na piscina.

Por essa razão, é bom voltarmos aos lugares onde fomos (e somos) felizes. Ao Grande Hotel das Caldas da Felgueira, em Canas de Senhorim, perto de Nelas, e às Termas da Felgueira, em específico (noutro edifício), desta feita abertas, a época termal está em pleno auge. Vai ser assim até meados de Novembro. Uma ‘romaria’ que há muito foi escolhida por quem vive o ano inteiro na expectativa de ali chegar, e repousar durante aquele período em que se renovam vínculos de amizade e revêem amigos. Embora o hotel esteja cheio, e as termas igualmente compostas, nem parece que assim seja. Tudo rola suavemente, pessoas vão, pessoas vêm, aparecem famílias inteiras, casais de pessoas mais velhas, casais novos, pessoas sozinhas. O objectivo é o mesmo: descansar. Antes de começar um período mais longo de férias, centre-se a atenção numa recuperação sublime.
















Mesa de pequeno-almoço, posta assim todos os dias, com brioches/croissants, doces, marmeladas, fruta, folhados de maçã, entre muitas outras iguarias


Dez da manhã

Manhã de domingo sem nuvens. Os clientes levam a tiracolo os sacos com o logotipo das termas, onde arrumam livros, chinelos com uma ergonomia elementar para percorrer os espaços interiores do edifício, o equipamento necessário para um par de horas de ginásio, ou uma manhã de tratamentos coordenados pela ampla equipa de apoio e técnicos das Termas da Felgueira. A indicação é que, caso se tratem de tratamentos éticos, haja uma consulta prévia ao médico de famíila, que os recomendará para os devidos efeitos. Se a opção passar por programas e tratamentos de bem-estar, a consulta realizada nas termas é suficiente par aferir a condição física da pessoa e, caso raras excepções, qualquer um pode sujeitar-se à recuperação induzida.

As propriedades da água termal (do aquífero) farão o resto, produzindo no corpo um efeito de pacificação e ‘cura’. Programas para cinco, dois, ou adaptação para sete dias, com variação na abordagem, o que inclui a metodologia (por quem trata), a intensidade, a complementaridade (entre tratamentos),e a equivalência entre os diferentes parâmetros dos produtos aplicados, estão disponíveis com preços variados. A pureza da água, dos produtos naturais (algas, chocolate, óleos essenciais), da música, o silêncio, farão o resto.




Uma das muitas sopas disponíveis diariamente

Dia um
9,30h (p1). Opção por dois tratamentos de bem-estar distintos, adaptados para sete dias: “Anti-stress”, a seguir designado (p1); “Duo-Hidratante”, a seguir designado (p2). Depois da avaliação inicial, dividimo-nos. Às 10,00 h, teve início a massagem “Thermal Stone, com Essências”, com posterior aplicação de máscara (corporal) de algas.
O carácter de uma massagem depende de quem a faz. Há pormenores, explicações detalhadas, que ajudam a compreender o que vai acontecer. Isso é fundamental para criar o ambiente adequado ao tratamento. O resto é força de braços e técnica. Jeito. Compreensão de que se a rotina for bem realizada, o corpo à mercê iniciará um processo de regeneração profundo.

Foi o que aconteceu. Rotina exemplar, simétrica, precedida de explicação simples, depois de compreendidos os pressupostos, aplicação. O silêncio impera (a par de uma música celta), as pedras são retiradas de uma caixa de metal e plástico, que tem no interior um líquido que as aqueceu previamente, numa rotina exemplar, contida. De seguida, o técnico pega em cada uma delas, e esfrega-as com vigor nas diferentes partes do corpo: pernas, costas, braços, mãos, pés. Depois de quarenta minutos, aproximadamente, de massagem, segue-se o envolvimento com algas marinhas. Resultado: quando o corpo se confronta com uma aplicação deste tratamento, sobretudo se vitimado pelas consequências do stress durante alguns anos a fio, músculos rígidos, concentração excessiva, obsessão com necessidade de fazer coisas, depois do envolvimento com algas com um plástico que fará um efeito de estufa, para ampliar a absorção na pele dos óleos das algas, então aqui o corpo é invadido por uma sensação inicial de pânico (por não se estar a fazer nada senão ser tratado, penso), que depois desaparece progressivamente, substituída por uma sensação boa de apreciação, à medida que se adormece, e se fica a dormir profundamente durante 20 minutos. Depois, bem, depois, com os olhos esbugalhados de tanto dormir, faz-se o percurso de volta para o hotel, desce-se à piscina, e ficam-se mais duas ou três horas a dormitar, enquanto a brisa quente aumenta a profundidade do sono. Só há vontade para comer, dormir, voltar a petiscar, e dormir novamente. É a entrada num estado de relaxamento absoluto e profundo. Num período de tratamento de sete dias (p1), este tratamento repete no quarto e sétimo dias.
10,00h (p2). Do outro lado, um “Peeling Corporal Hidratante”, seguido de “Exfoliação Facial com Algas e Óleos essenciais”, uma massagem geral, relaxante, com limpeza e hidratação, uma sensação (boa) de ‘escova’ no corpo. O primeiro não repete, o segundo repete mais uma vez.




Uma das salas de tratamentos nas Termas da Felgueira, em modo 'lusco-fusco'
















O bife de vitela, mal passado, no ponto, com feijão verde salteado e batatas fritas 

Dia dois
9,00h (p1). Ir ao “Ginásio”. Quem nunca teve um cartão de entrada num desses locais, fazendo uso irregular da cartolina, que atire a primeira pedra. É uma espécie de provocação. Sou superior ao facto de querer submeter-me às atrocidades ali realizadas, por isso pago sem lá meter os pés para evidenciar essa capacidade de conseguir impedir-me a mim próprio de frequentar o ginásio, apesar de pagar. Para o caso, releva o facto das actividades no ginásio serem complementares dos outros tratamentos realizados. Ou seja, nada de bater recordes, levantar pesos iguais a dez vezes o nosso próprio peso na balança, nada de cinco horas na passadeira a 10 km/h para abater a barriginha, fazer músculo e impressionar as mirones.

Cerca de uma hora e meia de actividades, que incluem passadeira, bicicleta, exercícios abdominais, levantamento de pesos para fortalecer os músculos dos ombros, do peito, alongamentos e remo (talvez o mais difícil). Cada pessoa fará estes exercícios de acordo com a sua estrutura física, regulados pelo tempo e dificuldade. O objectivo principal é destruir calorias de um modo controlado, para que se evitem os constrangimentos comuns que ocorrem quando o objectivo é bater recordes: o dia seguinte implica dores fortes em partes do corpo pouco habituadas a trabalhar com tal intensidade. O ginásio repete mais uma vez durante a semana. No caso do programa (p2), repete mais duas vezes, e o treino é basicamente idêntico.
Para finalizar em beleza o segundo dia, o “Duche a Jacto”. Uma espécie de massagem localizada (nos nós dos tornozelos, joelhos, nas pernas, costas, braços, mãos), com água termal enviada a uma velocidade elevada (por uma mangueira controlada por um técnico), repetida três vezes em cada zona referida, num total de 15 minutos de banho. Num programa de sete dias, não repete. É pena, no entanto, a vida continua.

10,30h (p2).  Depois de hora e meia de “Ginásio” (ver descrição do treino acima), uma “Pulverização Facial com Massagem”, que consiste no direcionamento de micro vapores de água termal para o rosto, depois daquela passar por um filtro, produzindo uma sensação final refrescante.














Pedaços de frango 'embrulhados' numa película ovo , puré de batata, grelos salteados e maionesa


Dia três

10,30h (p1). Ao terceiro dia, o programa acalma para uma espécie de meditação induzida, porque o dia quatro será memorável, e o corpo está a habituar-se ao novo ritmo de apreciação regular do silêncio, e da recuperação. Para começar, uma “Exfoliação Corporal com Essências e Algas”, uma massagem poderosa com posterior aplicação de algas, com período de repouso subsequente, desta feita sem o envolvimento em plástico. Depois, bem, há quem refira as qualidades do chocolate como fonte de nutrientes, reparador essencial, o que se verifica depois da ingestão de dois quadrados (de chocolate negro), e da aplicação nas costas de uma camada do mesmo, diluído, com novo período de repouso, de seu nome, “Massagem localizada de Chocolate”. O primeiro é de vez única, o segundo repete outra vez.

Se bem que duas horas depois do início, a vontade de dormir é bastante menor, compensada pelos odores persistentes do chocolate e das algas, nada como deixar aquelas substâncias o maior tempo possível sobre a pele, e acabar o dia a mergulhar na piscina olímpica e a aproveitar os dias solarengos e calmos do clima pré-Verão, bem apropriados quando se requer um certo distanciamento das rotinas que povoam a nossa existência.
9,00h (p2). Mais uma hora e meia de “Ginásio”, o treino regular (ver dia dois) para uma adaptação ao programa e seu reforço. O treino repete mais uma vez, no último dia. Depois, às 10,30h, o “Duche Vichy hidratante” (ver dia quatro).






















Camarões fritos envolvidos em fatias de robalo, puré de batata (com rabanetes) e grelos salteados   

Dia quatro
11,00h (p1). Ao quarto dia, como referido, memorável, os tratamentos entram numa dimensão ainda mais longa. Isso obrigará ao reforço da desestruturação do stress. Aniquilamento puro. É o dia em que se realizam tratamentos de manhã e de tarde, com intervalo para o almoço (vide referência). Para além disso, começa tudo mais tarde.

A manhã é assim dedicada ao “Duche Vichy Hidratante”, ou melhor, o “Duche Felgui Hidratante”, porque se os franceses podem usar uma região para denominar um tipo de banho termal, por que razão não poderão os portugueses adaptar o nome à região que o caracteriza? Este é um dos mais emblemáticos tratamentos das Termas da Felgueira. Os dispersores de água foram recentemente substituídos. A sala onde decorre é uma de muitas zonas húmidas do complexo termal, onde os técnicos auxiliam os clientes numa sala forrada a azulejo, com uma marquesa localizada ao centro.
Uma ‘cama’, onde nos deitamos de costas viradas para cima, na direcção dos tais jactos de água, que irão deixar cair o líquido do aquífero com uma grande intensidade. Neste caso, a técnica consiste na abertura frontal dos jactos de água morna, na aplicação de um creme hidrantante e, enquanto a água cai, o técnico realiza uma massagem vigorosa nas costas com o leite hidratante de óleos essenciais. Meia-hora de puro deleite, irrepetível no programa previsto. Depois de um duche rápido no novo balneário, almoço e preparação para uma tarde preenchida. 14,30h. “Thermal Stone, com Essências”, para começar, e uma “Máscara de Chocolate”, desta feita no rosto, com a mesma metodologia já mencionada. Prova do chocolate, limpeza de rosto, aplicação. Repouso durante vinte a trinta minutos.


11,00h (p2). No programa “Duo-Hidratante”, o dia começa mais tarde e restringe-se à manhã, com uma “Massagem geral com óleos essenciais”, bastante vigorosa, seguida da aplicação de uma, “Máscara de Aloé Vera”, com um período de repouso subsequente, para absorção. Nenhum dos tratamentos repete.

















A piscina e a sua água 'leve' e translúcida


Dia cinco

9.00h (p1). Ao quinto dia, já começamos a habituar-nos ao ritmo de fazer apenas aquilo que nos mandam. Sente-se. Deite-se. Vá tomar banho para tirar algas (numa cabine híper). Volte a deitar-se. Correr no ginásio. Suar. Sentir a água a percorrer os poros, os cremes hidratantes em mãos que os sabem aplicar, as pedras, por sinal, bem pesadas, voltar ao hotel, para comer, ler, na sala principal de estar, voltar para as imediações da piscina, deitar numa espreguiçadeira, mergulhar na água, leve, parece que nadamos nas nuvens, atirar o corpo duma prancha de três metros duas vezes, uma delas num chapão tramado que uma massagem resolverá. Dormir. É isto.
Neste dia em específico, manhã de “Ginásio” (ver dia dois), que não se repetirá. Dois velhotes sem sapatos apropriados, com uns fatos de treino de outras épocas, não se escusam a concretizar o plano do ‘trainer’. Cansam-se. Por mim, aguardo pelo final da manhã, quando irá decorrer o “Banho Cleópatra”. Trinta minutos numa banheira com mais jactos do que alguma vez poderei contar, imerso em água termal e leite hidratante, com a certeza absoluta de que nenhum poro escapará à ditadura dos diferentes regimes, velocidades e enquadramentos que a água irá percorrer nos múltiplos programas do banho, e cuja numeração electrónica vai aparecendo no visor colocado na parede. Ao fim do tempo regulamentar, dá vontade de começar outra vez, só que a água desaparece pelo ralo. É de vez única. Resta a solução de voltar ao hotel para continuar a fazer o que nos mandam. Comer. Provar queijos, sopas, entradas, pratos de peixe e carne, com legumes, produtos regionais, sobremesas várias, vinhos.

10,45h (p2). No programa “Duo-Hidratante”, o dia começa ao final da manhã, e isso é bom. Serve para retemperar forças e assimilar o que foi realizado até aí, e o que ainda será concretizado. O tratamento inicial é, “Banho de Algas Marinhas”, corpo dentro de uma banheira, algas marinhas em estado líquido e posterior ‘centrifugação’. Depois, banho rápido para preparar o rosto, que será exposto a mais um tratamento específico de recuperação: “Exfoliação Facial com Algas e Óleos essenciais.” Nenhum destes tratamentos repete.

















Uma açorda com filetes de peixe e salada fresca, biológica


Dia seis

12,00h (p1). Começa a aproximar-se o final de uma semana de laboração plena. O sexto e sétimo dias, terminam um programa vasto e diversificado em que foi possível conhecer muito bem os tratamentos de bem-estar disponíveis, enquadrados num percurso que, nesta data, já se percebe ter resultados milagrosos (e prolongados, digo agora). Há um momento, antes da ‘cura’, e outro, depois da ‘cura’. Período esse sem qualquer noção de desconforto, que o stress provoca, ou necessidade de concentração no dia-a-dia. O cérebro mantém-se num estado de consciência apropriado, as mazelas desapareceram, trata-se de um renovo físico.
O sexto dia é para retomar a ideia de estar a ‘aterrar’, a chegar ao fim, com dois tratamentos distintos, qualquer um deles de idêntica relevância, aplicados em sequência. O primeiro, uma novidade, “Peeling Corporal Hidratante”, consiste numa massagem super-vigorosa com um creme de algas exfoliante, para retirar células mortas, seguida de um período de repouso. Longo. Dormita-se. Depois, a segunda aplicação da, “Massagem localizada de chocolate”, nas costas, mais calma, com novo período de repouso. Ao fim de duas horas, sai-se preparado para percorrer o caminho até ao hotel, voltar a ler, beber água, provar novas iguarias, dormir a sesta, um novo hábito adquirido.

12,00h (p2). A dualidade na hora do começo de cada programa é propositada. Neste caso, “Renovalan”, um tratamento realizado no rosto, para diminuição de manchas e atenuação do efeito das rugas, com a aplicação de essências de frutos (ácido cítrico), pelo que sente-se um ‘pico’, que depois atenua, depois de aplicar-se um creme que o finaliza.

















Ao final de cada refeição, os queijos. Uma tábua inteira. Um deles, da Serra da Estrela, sempre disponível em modo inteiro, a pedir fatiamento próximo dos 10 mm de espessura, não aparece nesta imagem, por ter sido 'liminarmente' ingerido


Dia sete

9,00h (p1). Aliás, convém referir que nestas semanas (ou dias) de ‘tratamentos’, aprende-se a dormir melhor. O efeito do contacto com as águas termais é por demais evidente num sono tranquilo, que se prolonga durante mais tempo, e sem nenhuma interrupção. É inevitável (e perpetua-se no tempo, posso dizê-lo agora). No dia sete, comme il faut, termina-se como se começou. Certo? O retiro teve início com uma massagem, “Thermal Stone com Essências”, e é assim que finaliza, desta vez sem a aplicação de algas.
Neste momento, o corpo está plenamente recuperado. A ‘cura’ ocorreu com primor, nada cansa, nada aborrece, tudo parece ideal, e relativizável. Dorme-se perfeitamente, come-se da mesma maneira, e hoje é dia de abrir uma garrafa de vinho especial ao jantar, escolhida da adega  – que é vasta –, e que ficará ainda melhor daqui a umas semanas.  Oferecida a degustação pelo nosso anfitrião, que merece todos os elogios.

Do vasto registo fotográfico da cronologia das refeições, pequenos-almoços, almoços e jantares, é possível aferir a qualidade dos produtos, fossem vegetais, fruta, derivados do leite, pratos de carne e peixe, sobremesas. Por vezes, o mais difícil foi escolher. O rigor na montagem das mesas, a simpatia da equipa, proporciona a quem vem aquela dedicação que enobrece quem cuida, mesmo se em alguns momentos se teve noção da ingenuidade, ou pouca experiência, de alguns jovens no serviço na sala. No entanto, nenhum deles vacilou. Nas noites de sábado, por exemplo, o serviço é exigente, a clientela em maior número, com hóspedes a realizar programas específicos e clientes de fora do hotel e das termas, exige rapidez e eficiência da equipa e do chefe de sala. Controlo nos movimentos. Isso aconteceu.
A preparação das mesas para o pequeno-almoço também revelou compreensão das dinâmicas por detrás da prestação de um serviço exigente, que tem algum espaço por onde melhorar. Com um grupo de médicos presentes (de fim de semana), e outro grupo de visita para essa refeição específica, a que se seguiram dois eventos num dos dois amplos espaços disponíveis – uma enorme sala interior, e uma tenda localizada junto à piscina –, com os hóspedes e clientes das termas, tudo isso configurou uma mistura que, sem o cunho determinante da direcção e da equipa, seria desastrosa, explosiva. A quietude imperou. O final de noite foi dedicado à prova de vinhos da região (Dão), com queijos, tostas, boa conversa, que antecedeu o jantar. Alguém canta na sala depois, os clientes acompanham o ritmo de uma música conhecida. Na sala e no bar há uma animação persistente, conversa-se sobre a vida, o vinho, o sentido das coisas.

9,00h (p2). Último dia, que começa com hora e meia de “Ginásio”, seguido de um “Banho Cleópatra” (ver dia cinco). É quanto basta.

















O 'skyline' exterior, com a sua vegetação exubertante, onde impera o silêncio

Dia oito

Uma das sobremesas, com natas e bolacha, numa 'interpretação' apelativa

Domingo. Final da manhã. Nenhum tratamento agendado, ambos os programas terminaram ontem. O Sol desponta como sempre faz neste período perto do meio-dia e meia, por entre a massa densa verde do arvoredo. O calor ainda não é intenso, embora se faça sentir o suficiente para se ter voltado a mergulhar na piscina. Aproveitam-se os últimos momentos, depois de mais um pequeno-almoço generoso, cheio de tudo o que é bom. Agora, à mesa do almoço, partilham-se experiências, é como se se fizesse um resumo. É uma despedida, um até já, de uma semana que passou depressa, e devagar, em tempos nada automáticos. Impera o silêncio no lobby da entrada. O parque de estacionamento esvazia-se. Clientes fazem o check-out, outros o check-in. Estão a chegar, querem usufruir da plenitude do local, da vinculação com a envolvente, querem apropriar-se por momentos da natureza, dos efeitos da água pura, que ‘cura’, uma recuperação que os levará a voltar para o ano. Para o próximo, e para os outros anos seguintes.
Nota: a ilustração desta reportagem, sobretudo com fotografias de comida, é uma opção editorial. Pode haver coisa melhor do que apreciar e deglutir gastronomia que parece saída do fogão lá de casa?