Pouco importa o local


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Às vezes, as memórias são inesquecíveis. Boas ou más, perduram. O que este livro denuncia, como um tempo que passou e ainda ali está pronto a emergir, como coisa que remete para um período específico, é que isso é importante. Faz bem a quem leu, e a quem escreveu, e isso faz predominar do gesto de compreensão desse fragmento de tempo, a sua transliteração. Apenas. Tiago Patrício junta então um grupo de amigos que crescem juntos, que brincam uns com os outros capazes de se divertir, que comem na casa uns dos outros, que correm por todos os lugares escondidos, sabendo da vida de uns e de outros sem rigor nenhum, e com todo o empenho. O que cada um quer é crescer. Uma menina , alguns rapazes, fazem assim o seu percurso na direcção da idade adulta, é esse o objectivo primordial, num ambiente tão distinto como uma aldeia em Trás-os-Montes, com as suas casas de portas abertas. Pessoas fogem da aldeia, e o registo que as crianças vão realizando é tão ingénuo, e ao mesmo tempo cru, da realidade. Das circunstâncias, dos seus medos, que vão sendo perseguidos, deixados para trás, e retomados. Quando acontecem tragédias, e as tristezas são esquecidas. O que Patrício consegue absorver de uma infância que pode ou não ter sido a sua, para o caso, isso é irrelevante, é uma narrativa que, para além de muito bem escrita, tem forte teor literário, e de densidade 'material'. Tem mundo, mesmo referindo-se a um dos lugares mais conservadores, e envolvidos na tradição, de Portugal. Primeira obra, que ganhou o prémio Agustina Bessa-Luís em 2011.

Título: Trás-os-Montes
Autor: Tiago Ribeiro Patrício
Editora: Gradiva
Preço: €12
Classificação:4 estrelas

Prós: Texto muito bem escrito; forte teor narrativo; capacidade para recriar, e de engenho ficcional
Contras: Não tem