Ganhador pertinente
























Do Alentejo (Tapada dos Ganhões 2011, Granadeiro dixit), uma rolha quente com travo de adega com porta aberta ao público e sobreiro a que se retirou a casca. Cortiça e doce em suspenso, delicado, a aromas de frutos relativamente maduros, de razoável intensidade, com um toque profundo de aromas da madeira, algumas notas vegetais, pelo menos para já, escondidas na restante totalidade.

O início é longo, a especiarias (pimenta bem forte), com um bom amargor e intensidade, uma cor marcante, vermelho vivo com degradé. Aromas e sabor a frutos vermelhos e madeira. Facto que se confirma no segundo e terceiro travos, a pimenta com a certeza da sua marcação, a fruta, do doce que fica no palato apesar do líquido escoado e uma surpresa que não é bem isso.

Enchidos. Fumado (muito fumo mesmo) de chouriço, de farinheira acabada de fritar na frigideira, teor que, associado ao factor translúcido da cor, a algum álcool, faz deste vinho um tinto com equilíbrio suficiente para agradar, e complementar uma refeição. O doce é uma espécie de bónus, a cor o âmago de um entendimento que os tintos alentejanos têm, e que deriva da planície, do estado de espírito, da capacidade de fazer bom com o solo a coberto das elevadas temperaturas.
É pena não ter a descrição das castas, a corrigir em rótulo (que revela design apelativo) na próxima colheita. A €2,99 num supermercado perto de si, numa relação preço/qualidade/equilíbrio interno essenciais. Vem do mesmo sítio do considerado melhor tinto do mundo (Poliphonia Signature 2008), de que chegará uma garrafa dentro de poucos dias para uma prova à medida. Este, acompanhou lombo de porco, com batatas/cenouras assadas e um pouco de arroz amanteigado, branco, com um molho de redução. É o vinho da semana.