Um clássico

 

Uma aposta segura é, no que aos vinhos diz respeito, uma escolha acertada. Sempre. O Quinta da Fata Clássico 2008 entra nesse patamar. Diga-se já a razão. Quatro castas que cerceiam disposições menores: Touriga-Nacional, Tinta-Roriz, Alfrocheiro e Jean, com seis meses de estágio em barricas de carvalho francês.

Portanto, este ‘clássico’, começa, depois de aberto, com forte indicação de azeitona, longa e prolongada, com uma subcamada de madeira, outra de xisto e pedra, uma rolha impregnada, bem cheia, é o que parece.

Que se confirma, num nariz intenso, cheio, uma generosidade que se acerca de toda a prova, com alguma presença de álcool, e alguma palha. A boca, igualmente forte, uma intensidade em que se deixa notar uma certa acidez apimentada, depois enquadrada na complexidade e no trabalho de um final prolongado.
A cor, vermelho intenso, com tonalidade rosácea na linha que define e contorna a vidro. Bem carregado e cristalino.

A evoluir desde o momento da abertura, com tempo, bem amargo, e suave no trato, revelando grande elegância, uma multiplicidade de sabores em que se destacam as especiarias, e um equilíbrio que nunca constrange.
Um vinho nada pesado, bem pensado, com um palato que confere os odores mastigáveis, adequado a carnes vermelhas e a peixes mais gordurosos, com igual cadência se se escolher para acompanhar pratos de ‘pasta’, de tão agradável e versátil. É o vinho da semana.