O círculo perfeito
























A Civilização, numa edição que vem acrescentar mais um capítulo ao gosto pela especialização em comida, bebida e afins, elenca um produto regional de cada país do mundo. O queijo. Sem ser uma catalogação exaustiva, é-o no sentido de abranger um conjunto muito vasto de países do mundo, de qualidades de queijos, e de hipóteses de compra.

São muitos, e vêm catalogados com fotografia, características e constituição. São queijos para todos os gostos e palatos. Esta é uma daquelas edições que carece de espaço numa biblioteca, coordenada por quem tem pergaminhos na matéria, a saber: Juliet Harbutt, alguém que, depois de um workshop que incluiu vinhos e queijos, decidiu abrir uma loja de queijos, em Londres. Isto nos idos anos 80. Nunca mais deixou de se dedicar ao tema. Estamos a falar de alguém que produz o seu próprio queijo artesanal para consumo doméstico, segundo a receita: ‘aquecer leite, verter gotas de limão, deixar repousar, filtrar e coar, acrescentar ervas, e fica pronto'.

Para se ser mais exacto, Juliet propõe 750 opções, desde queijos franceses, espanhóis, portugueses, ingleses, irlandeses, a belgas, holandeses, alemães, suíços, americanos, japoneses, e australianos, entre outros. Tudo separado por país, ou região, com um glossário inicial sobre os queijos frescos, envelhecidos, duros, azuis, e a apresentação da tábua de queijos perfeita, que é um objectivo difícil de alcançar. 

Neste volume aqui apresentado, cada queijo tem a sua própria ficha técnica, com notas sobre o paladar e sugestões de degustação, e uma fotografia que ajudará a especializar os interessados sobre o aspecto de cada qual. Todas as considerações são realistas e úteis.

Tão simples? Bem, se se quiser um dicionário de queijos, com conselhos sobre a sua conservação, um glossário (curto, é certo) que enumera conceitos e palavras associadas à indústria e fabricação queijeira, tem-se neste manual um bom livro de consulta, que poderia ter associado alguns capítulos sobre história, filosofia e metodologias passíveis de utilizar na concepção.

No entanto, a aprendizagem sobre a matéria-prima queijeira, que inclui termos como, o ‘cardo’, leite de soro, bolor, decomposição, odor, casca, são apelativos e constituem um bom elemento de consulta quando a dúvida persiste, e não se sabe muito bem que queijo servir, ou adquirir.

Digamos, que ninguém nos ouve, um belo queijo da Serra da Estrela, servido de fatias de marmelada, como referido aqui, faz as delícias dos adeptos. Basta-se a si próprio, com um belo tinto, ou branco, de entremeio.

Título: A melhor selecção de queijos do mundo
Autor: Juliet Harbutt
Editora: Civilização
Tradução: Manuela Rocha
Preço: €25,00
Classificação: 5 estrelas

Prós: Enumeração cuidadosa; sugestões de degustação, sempre práticas; cuidado da edição.
Contras: Não tem.