Condução criativa














© 2017 Ruben P. Ferreira

Uma certa nostalgia, e ao mesmo tempo uma vontade enorme de estar afastado. Portugal produz este tipo de antagonismos nas pessoas. Por muitos e diversos motivos. Desloco-me em ritmo de férias a caminho da praia, a cumprir o limite de velocidade. Em Portugal as multas para quem circula 20 km acima do limite estabelecido não rondam os €2000, mas deviam. Num determinado momento, numa lomba com um cruzamento à direita, um automóvel abranda induzindo-me a fazer o mesmo até parar. Quer virar para a direita. O condutor do automóvel atrás de mim acha que é melhor eu fazer outra coisa e ultrapassar o carro que está parado para (ele) avançar mais rápido. Buzina com amor para ver se me convence. Fico na minha e deixo-me estar. Dois segundos depois aparece um automóvel na sua via em sentido contrário. Se tivesse ultrapassado naquela lomba com visibilidade reduzida teria tido um acidente e chocado de frente com o outro automóvel. A criatura atrás de mim faz os próximos dois quilómetros em cima da traseira do meu automóvel e acaba por acelerar com violência na próxima rotunda, felizmente noutra direcção. Moral da história? Nenhuma. A não ser esta. As multas deviam ser tão altas que a pessoa seria civilizada por princípio. É que se não vai lá pelo ímpeto natural de ter uma atitude civilizada, vai-se pela carteira. Resulta sempre.