Como dizia?















Quando refiro opinião requentada, estou a falar disto:

Correio da Manhã - 136 colunistas
Diário de Notícias - 20 (cerca de, com os ameaços dos convidados, é um pouco difícil precisar)
Observador - 28 colunistas e 438 convidados (há nomes que se cruzam, poucos)
Público - 30 colunistas

Ressalva: há colunistas e convidados que gosto muito de ler. O texto da Susana Romana sobre o festival da Eurovisão em Lisboa é muito divertido, para além de estar muito bem escrito, no português correcto que às vezes parece inatingível em certas publicações. O MEC, que é uma espécie de enciclopédia ambulante, apesar de agora discordar mais do que ele escreve do que dantes, mantém o nível do jornal quando certas publicações o atiram, ao nível, para fora do limite de tolerância.

A fazer contas de merceeiro, são 652 nomes, embora alguns se cruzem quer no mesmo espaço mediático (entre convidado e colunista), quer em locais diferentes. Sem contar com os programas de opinião, de exposição da opinião e de destruição da opinião que são bastante regulares e chegam a ser anedóticos. Há quem só consiga escrever em impressa declaradamente dependente de show-off, quando há uma década isso era impensável, porque se lho dissessem, a pessoa iria certamente rir-se muito. Dita a sobrevivência, mas é triste.

Pois, está tudo a  escrever opinião, um género jornalístico, é certo, só que cansa ver tanta gente a bater no mesmo ceguinho, a repetir, a repetir e a repetir. E depois o ceguinho muda. A repetir, a repetir, a repetir. Outros apropriaram-se do espaço público para fazer como se estivessem na taberna, e porem a escrita em dia. Para inventar uma nova maneira de escrever que tem como base a clara má educação snob que perdura como método para fazer passar por pessoa com muitas qualidades.  Também acontece em televisão, diga-se!

Pelo menos, a ser snob quando se diz mal, que é um problema sistémico de que poderia eventualmente padecer, convém manter o nível. E já agora um bocadinho de cultura, sem as queixinhas que se vão dizer à mãezinha. Não, o público nada tem a ver com a intimidade alheia. Quer dizer, é de palmatória para o soundbyte e uma certa idea de reputação, mas não é bom! Como dizia o outro, não é de homem. Ah, e isto de dizer homem é tudo menos machismo, é feminismo também, porque algumas senhoras pegam na caneta de feltro e é como se aquilo fosse até âmago da folha a chiar à maluca e a fazer aquela impressão que põe os pelinhos da pele em pé. Prontos, é isto. (os direitos da imagem estão completamente reservados).