Coisas mínimas


Há os obcecados pela beleza, pelo odor, a perfuração de corpos, a escrita, o domínio da linguagem oral, garrafas de água, livros, discos, dvd’s, cadernos pretos, lapiseiras, esferográficas, aparos, ventoinhas, ares condicionados, mesas, dias de Sol (o astro, não o jornal), dias de Inverno, Outono e Primavera, ritmos de música como a dos delifns (porquê?, meu Deus, porquê?), vídeos, filmes, obras de arte, telhados, paredes, papeis, telefones, agrafadores, roupa, sapatos, colares, pulseiras, anéis, viagens, bilhetes, lixo, conversas, computadores, revistas, jornais, letreiros, autocolantes, postais, nomes, sobrenomes, molduras, sinais, mitos, histórias, cadeiras, mobiliário, camas de casal e camas de solteiro, mesas de cabeceira, anúncios desinteressantes, boa publicidade, instrumentos musicais, fnac’s, séries de televisão como os Sete Palmos de Terra, o Seinfeld, The Office, os Simpsons. Mulheres e homens são obcecados por tudo e mais alguma coisa, mas é sobretudo quando sentem na pele a propriedade de uma das consequências das perdas inesperadas, das dores repentinas, um enorme desconforto, os espaços esvaziados no seu silêncio, de um confronto desses com os limites do seu corpo e espírito, é apenas ali que entendem perfeitamente a obrigação implícita e pertinente de libertar a obsessão por si próprios, pelas suas consecuções materialistas, pelos seus ideais, e de se observarem despidos como na realidade vieram ao mundo. Sem muletas ou subterfúgios visuais.

@ Ruben P. Ferreira

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