Lugar de agora

Lugar de fim, outrora negado. Lugar dos outros, lugar de encontro transformado em desencontro, em distância. Lugar dos outros afinal um pouco meu, pois a eles me reporto, concedo, afinando as conversas tardias a procurar o caminho novo para esse lugar novamente tomado mas perdido, em perda a tomar conta dos passos, pois o caminho é difícil de encontrar, labirinto e encruzilhada de palavras ditas e, sobretudo, não-ditas, de propósitos e despropósitos acumulados com o passar dos anos. Lugar ficando para trás deixando-se levar pela velocidade, o corpo como num escorrega limitado por bandas laterais. O corpo carregado com todo o seu peso morto lançado na vertigem do obscuro. Parando definitivamente onde a distância entre ambos é segura e longa, oprimindo o espaço futuro contíguo, agora uma incógnita para eles que se deixaram de percorrer. Lugar como se fosse meu pela tristeza que se abate ao observar o grosso da imprecação e as suas consequências. Lendo agora em ti um abraço reconfortante que possa servir como reparação desse medo percebido. Devagar, com as tuas mãos acariciando os meus olhos semicerrados (do cansaço), quase esquecendo os outros e o seu desfiguramento, ficamos recuperando do desencontro deles.
© Ruben P. Ferreira

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