Os Meus Livros - Junho


Momento de particular interesse para um Especial sobre Livros para um Mundo Melhor (co-autoria minha e da Sara Figueiredo Costa), disponível no número de Junho da revista Os Meus Livros. Livros que se debruçam sobre o assunto propondo soluções para os problemas do ambiente, a ecologia e outras questões que assolam o planeta. Entrevistas de que serão publicados excertos (já a seguir), com Rui Zink (que agora tem blogue), a propósito de “A Espera” (Teorema), onde tece uma metáfora sobre a literatura, esse mundo onde escritor e livro medem forças; e com Vasco Santos e João Biker, mentores da Fenda, uma editora que aposta na inquietação. Mais: as grandes apostas das editoras para a maior Feira do Livro do ano, a 77ª, a decorrer em Lisboa - também no Porto, é preciso não esquecer, apesar da vitória do FCP no Campeonato ter, por vezes, efeito discriminatório pelos arrabaldes do que eles (portistas) dizem ser a nação; o romance de estreia de Eduardo Pitta, um dos mais reputados críticos literários portugueses; e as críticas: o que ler e reler dos títulos mais importantes lançados nos últimos tempos, em análise e classificação.
(entrevistas por João Morales, Director da OML)
"O mais recente lançamento de Rui Zink, “A Espera” (Teorema) conta-nos a história de uma viagem aos Açores, com o objectivo de assistir à caça da baleia, prática já então (corria o ano de 1982) interditada pela União Europeia. Um das coisas que saltam à vista é a grande carga de oralidade, como se a história nos estivesse a ser contada e não estivéssemos a ler.
«Isso tem a ver com tema, uma história de mar tem de ter piratas. Aqui, não tem piratas reais mas tinha de ter esse tom. Em segundo lugar tem a ver talvez com o meu futuro, a minha voz literária, que é descomplicar à superfície, deixando a complicação para o trabalho de produção. Cada vez mais, escrevo e escrevo e escrevo, para chegar a algo que, se não próximo da oralidade, pelo menos, fluído», explica-nos ao autor.
Apesar do carácter falsamente simples, por debaixo de uma narrativa de ficção há sempre intenções, nada é linear nem inocente. Este livro não é excepção. «Tentamos sempre contar uma grande história (e é isso importante), se uma pessoa não quer contar uma grande história, então, faça poemas. A ideia de fazer romances sem intriga, parece-me um pouco como fazer
spaghetti sem massa. A história é importante. Mas, obviamente que aqui terei que dizer uma coisa clássica, o importante é o que está implícito no que está dito e não o que está dito. A história está para o livro como a carroçaria está para os carros, um carro pode ter uns platinados maravilhosos mas o que o faz mexer é o motor. Só que o motor é uma coisa muito desagradável de ver. Na relação entre uma história e o que ela implica penso sempre no corpo humano. Quando se diz que o que importa é ser profundo, eu estou de acordo, mas ninguém vai para cama com um raio-x», ironiza Zink. ""

(...)
"O que é que distingue a Fenda das outras editoras?
VS – É difícil responder, porque isso coloca a questão da originalidade e a Fenda não é uma editora totalmente original. É uma editora que teve alguma originalidade, primeiro no contexto coimbrão (porque não havia nada) e depois por certas escolhas editoriais. A nossa intenção é publicar livros que vão para além da intenção dos seus autores. Há sempre no editor uma espécie de projecto individualista, de fazer a sua biblioteca de Babel, publicar os livros que gostou de ler ou que gostaria de ter escrito…uma certa forma e uma certa unidade.
A Fenda tem tido preocupações
em ter um rosto. Há outras editoras que são originais e nós somos credores de outros projectos, como a &etc, a Afrodite (isto falando apenas de casos portugueses), que admiramos e onde assumimos a nossa filiação.
Para quem não conheça o catálogo, como o descreverias?
A Fenda tem um conjunto de livros que, na sua maioria, inquietam. São livros de desassossego, que não têm uma visão adaptativa da vida ou do mundo, são livros que nos fazem sempre pensar que a vida é uma existência e não uma sobrevivência. São livros contra um tempo que hoje é muito triunfante, que é o tempo do cognitivismo, isto é, do homem sem angústia, sem contradições.
Os nossos livros remetem para o sonho, para o princípio de prazer, para o jogo, e não para um mundo de adaptação e de simples comércio, de simples triunfo da economia, tenha ela as formas que tiver – isso também passa pelo mercado do livro."

Para ler o restante, é comprar. [Ruben P. Ferreira]






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