Bastidores Livros de Bolso

Histórias de algibeira

Os livros de bolso são uma das mais recentes apostas de algumas editoras,
a par de outras que nunca os abandonaram. Fomos descobrir porquê
e o que é que aí vem.

Texto de João Morales
É prático, como o nome indica. E o tamanho não adultera a qualidade da escrita. Durante os últimos anos foram renegados pela maioria das editoras, mas o interesse pelos livros de bolso parece estar de volta. Assírio & Alvim, Cotovia e Relógio D’Água associaram-se para criar a Biblioteca Independente, enquanto a Dom Quixote voltava a apostar neles (em tempos lançou uma interessante parceria com a FNAC), através da criação de uma chancela própria, a Booket.
«O nosso objectivo é tornar a leitura mais acessível a todas as pessoas e investir na divulgação do livro. Por outro lado, o mercado apresenta uma oportunidade para o livro de bolso e pretendemos acompanhar novas tendências e hábitos de consumo. Veja-se o que já representa o livro de bolso nalguns países da Europa (Espanha, Reino Unido, França, Alemanha) em que este mercado – o do livro de bolso – cresceu e já detém uma quota de mercado muito significativa», justifica Pilar Ramos, responsável pela Booket.
Também Francisco Vale, editor da Relógio D’Água, denota uma mudança: «Verificou-se uma alteração que se tornou sensível no início de 2006. Foi nessa altura que considerámos haver um espaço para a edição de livros de bolso, já que o nosso catálogo atingira um considerável número de títulos com essa vocação».
E explica como vê essa transformação: «Neste momento, parece haver uma alteração das condições para a edição deste formato.
Há uma dessacralização do livro que permite que muitos leitores reajam bem a este formato, as condições de leitura, nomeadamente nos transportes e nas férias, vão também nesse sentido e a própria distribuição tende a transbordar das livrarias tradicionais».
O editor justifica a opção de avançar em parceria com outras editoras, com um olhar pelo passado. «Em Portugal verificaram-se sucessivas tentativas de lançamentos de colecções de livros de bolso. Além dos casos particulares da Vampiro e da Xis, as únicas que tiveram um sucesso apreciável foram a Unibolso e os Livros RTP nos anos 60 e 70 do século passado. Esta última, lançada por Soares Louro, reunia obras de diferentes editoras e era promovida pela televisão. Outras tentativas, como a Minerva, Mosaico/Livros do Brasil e as mais recentes, como Fnac/Asa, Fnac/Dom Quixote ou Caminho de Bolso, obtiveram apenas sucessos parciais, pois reduziram o seu horizonte a uma única editora».
[Ruben P. Ferreira]

0 comentários:

 

Quantcast