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Especial Viagens

Viagens de A a Z

Com o Verão à porta a sede de partir desperta. Começamos a sonhar com outros destinos
e culturas. Conheça um pouco do universo das viagens, os seus escritores e destinos, através de um dicionário que convida a isso mesmo: viajar.
João Morales e Filipe d’Avillez Ilustração André KanoCom o Verão à porta a sede de partir desperta. Começamos a sonhar com outros destinos
e culturas. Conheça um pouco do universo das viagens, os seus escritores e destinos, através de um dicionário que convida a isso mesmo: viajar.
Texto de João Morales e Filipe d’Avillez Ilustração André Kano

Angola
Um país que ficará para sempre ligado à nossa história. Não é de espantar, portanto, que a curiosidade dos leitores portugueses seja imensa sobre este território. Nas palavras de Pepetela, as imagens são, ora duras (“Predadores”; Dom Quixote) ora, mais satíricas (“Jaime Bunda”; Dom Quixote). Aliás, pelo humor se faz crítica, como João Melo em “O Dia em que o Pato Donald Comeu Pela Primeira Vez a Margarida” (Caminho), um conjunto de contos, certeiros e satíricos.

Bryson, Bill Nascido em 1951, no Estado do Iowa, é um dos escritores de viagens mais famosos e apreciados da actualidade. O seu estilo assenta num forte sentido de humor, capaz de dar a conhecer as maiores incongruências através de estatísticas (há mesmo quem o afirme viciado nestes indicadores), observação crítica da realidade e conhecimento dos locais. Tornou-se famoso com “Breve História de Quase Tudo”, mas já publicou entre nós outros sucessos, como “Na Terra dos Cangurus”; “Notas Sobre um País Grande”; “Por Aqui e Por Ali” ou “Nem Aqui, Nem Ali” (todos na Quetzal).

Chatwin, Bruce É um dos paradigmas da literatura de viagens. Este inglês errante (1940-1989) trabalhou como avaliador na famosa leiloeira Sotheby’s, antes de se fazer à estrada compulsivamente. Para muitos a sua obra-prima é “Na Patagónia”, onde nos evoca as paisagens desse local mágico da Argentina. Outras obras de destaque são “O Vice-Rei de Ajudá”; “Anatomia da Errância”; “O Canto Nómada” ou “O Que Faço eu Aqui” (todos na Quetzal). Grande adepto dos famosos cadernos Moleskine, Chatwin comprava-os às dezenas, registando impressões e pensamentos.

Darwin, Charles Embora raramente seja associado a este género literário, poucos autores devem tanto à viagem como o responsável por “A Origem das Espécies” (edição recente na Europa-América).
As suas teorias da evolução e da selecção natural derivam das pesquisas que efectuou durante a viagem do HMS Beagle, que durou cinco anos e circum-navegou o planeta. Esse percurso está relatado em “Uma Viagem a bordo do Beagle”, editado pela comissão da Expo 98. A vida de Darwin pode ser conhecida através da sua “Autobiografia”, editada pela Relógio D’Água.

Etiópia
Embora esquecida ao longo dos últimos séculos, há uma forte ligação histórica entre Portugal e a Etiópia, a terra do mítico Preste João. Histórias recentes não há para contar, mas nos alfarrabistas encontram-se facilmente os volumes que narram as aventuras dos primeiros europeus a penetrar o império misterioso. Um desses homens foi o padre Francisco Álvares que contou tudo com grande exactidão em “Verdadeira Informação das Terras do Preste João”, escrito em 1540, obra que inaugurou uma série de livros parecidos, de grande valor histórico.

Faraós
Uma das facetas menos conhecidas da vida de Eça de Queiroz prende-se com a sua passagem pelo Egipto, a terra dos Faraós, onde assistiu à construção do Canal do Suez, uma obra da maior importância e que marcou fortemente a época. Desta viagem resultou não só o livro “O Egipto” (Livros do Brasil) como a inspiração para “A Relíquia” (várias editoras). Quanto a obras mais actualizadas, vale a pena investigar “À Descoberta do Egipto”, que reúne contribuições de diversos autores, e que tem a chancela da Asa.
Gelo
Não é fácil fazer aquela viagem que nunca ninguém fez. O preço da fama e da conquista poderá ser até a própria vida. Foi o caso do Capitão Scott, o inglês que morreu no seu caminho de volta do Pólo Sul em 1912 depois de ter perdido a corrida para lá chegar, para o norueguês Amundsen. Um dos poucos títulos portugueses que contam a sua história é “À Conquista do Pólo Sul” de Beryl Bainbridge (Europa-América). Num registo de ficção, “Nas Montanhas da Loucura” (Dom Quixote), de Lovecraft, conta a história de uma viagem à Antárctida que corre terrivelmente mal...
[Ruben P. Ferreira]

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