Instante

Se, de repente, todas as páginas dos livros fossem abertas ao mesmo tempo, as palavras soariam com um eco fundo, torto, as nuvens seriam transmissores do seu som como fios eléctricos, cairiam como chuva por cima dos corpos das pessoas deambulando por todos os cantos de todo o lado, olhando para cima surpresas, correndo por estradas e passeios engolindo todas as combinações de letras possíveis.

Se, de repente, o mundo fosse uma comprida e amigável prateleira cheia de livros fechados com ideias encerradas no interior e andássemos por cima destes vagueando tranquilamente, histórias suceder-se-iam emanando daquelas páginas, sem rotina e ordem cronológica por toda vida à nossa frente.

© Ruben P. Ferreira

1 comentários:

Anónimo disse...

As palavras são como pára-quedas que evitam a queda, o tropeção, a descida rápida e absoluta para o abismo. As palavras suavizam, reconfortam, fazem sonhar, fechadas dentro de frases e de parágrafos, unidas, indistintas umas das outras, sussurrando, inundando-nos com as suas histórias e as suas sensibilidades. Haverão muitas mais coisas tão mágicas quanto isso?

 

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