Prevenção Rodoviária

Quero compartilhar um pensamento que me intriga sobremaneira: certo tipo de condução, sobretudo aquela realizada com o corpo inteiramente debruçado sobre a consola da alavanca das velocidades e uma mão no volante.
Essas pessoas, ciosas da sua qualidade rodoviária, gostam de andar mais depressa que os outros, e quanto mais depressa andam mais inclinado fica o corpo, e mais força fazem com a mão direita sobre a alavanca das velocidades – o que é um comprovado erro, dizem os manuais de instrução dos automóveis.
Ora, esta é uma relação que não consigo estabelecer: corpo-semi-deitado-mão-no volante-velocidade-estonteante.
Pois pelo que vejo na televisão, e eu vejo televisão desde muito cedo, os tipos que andam mais depressa de automóvel são aquela malta que habita cokpit’s de automóveis repletos de botões e alavancas, na Fórmula 1, na Indy Series americana, em Rallys, e provas de Todo-o-Terreno.
Se até há uns anos podia alegar-se desconhecimento e ignorância, pois era impossível perceber com rigor o que se passava dentro de um automóvel de competição, com o advento das câmaras de televisão ridiculamente pequenas abriu-se um novo espaço para o espectador fanático, até para o curioso. E o que descobrimos?
Todos os pilotos fazem uma série bastante exímia de movimentos de braço para manter o bólide na pista (seja em terra ou em alcatrão). Mesmo quando a tecnologia não simplificava as operações, e havia volantes redondos – na fórmula um, isso já não é bem assim –, a mão ia à caixa de velocidades muito depressa, antes de cada travagem. Ninguém conduzia com uma mão ali permanentemente. Além disso, a posição do piloto mantém-se desde sempre. Herético, hirsuto, estático, agarrado ao banco com as costas paralelas e o corpo fixo por cintos de seis pontos de fixação, com as mãos na posição das ‘dez para as duas’ e os olhos postos no alcatrão.
Nos inúmeros testes que fiz em privado conclui ser extremamente difícil observar com detalhe a estrada debruçado sobre a consola das velocidades. Depreende-se, portanto, que a posição escolhida por esses ‘fangios’ é, por si, uma posição de condução parva.
E as pessoas que conduzem dessa maneira são geralmente incompreendidas, e apenas cumprem limites de velocidade quando se aproximam de lombas na estrada, para não estragarem as suspensões e as carroçarias de automóveis que, por vezes, possuem luzes azuis que piscam e iluminam a estrada.

© Ruben P. Ferreira

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