Quando a luz entra

Caixas empilhadas, livros espalhados, a luz a entrar como um foco onde se entremeia uma película, longe de cada suspiro, a a entrar enquanto muda de direcção ao longo de um dia, de vários dias, a pressa de ver e sentir tudo de uma vez só para poder compreender e parar, parando para pensar, a pressa de ver tudo arrumado e desarrumado dos seus lugares, o mobiliário da memória a carpir as dores do passado e a constituir um novo léxico, de novo as palavras, vontade de empreender e comprar e compor compulsivamente os desideratos da mente, a obter e curto espaço o elemento que conduz, as paredes nuas e a máquina oleada cheia de fotografias que foram retiradas nos seus suportes, a máquina a registar as novas imagens e a querer ser lugar de encontro, os a dias a procurarem ser mais qualquer coisa, eminente, a mudança eminente, para breve de um lado para o outro conduzindo esta dualidade pueril, contra objectos na rua, ideias feitas nas mãos a fugir, um restolhar da madeira a partir aos bocados, a quebrar-se deixando antever os dias e as suas noites que acabam com a luz das cinzas a partir igualmente, outra vezes tardes longas e esperas de arrumação e deleição, coisas tão pequenas e tão simples, como observar de um lado a luz entrar no outro. [Ruben P. Ferreira]

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