Fragmento

os diáconos da mente, a perfurar as entranhas, a sondar e descobrir um modo do silêncio se afastar, como uma pausa, a rever que um rumor de labareda acesa pode ferir, o rumor a dar cabo da cabeça,

como uma pedra solta lançada, perdida no corpo, as palavras estão longe daqui, a fugir por todos os lados, a transbordar,

a fugir no seu telégrafo de passagem embora a lâmina de um espelho as reproduza, aquele ali de que um soldado gostaria de ser portador, chora por uma voz conhecida,

a observar antes como agora a cabeça do mundo a despedaçar-se pela ausência de um longo, longo, abraço, de paz,

enquanto o lixo a montante prescreve as palavras pueris e as condena ao seu exílio, um lixo mental que não é bíblico, é escuro, borrado pelo fumo negro nas paredes,

confunde, comprime, corrobora, diz de cada cratera: é mesmo assim, há que fugir, enfiar a cabeça na terra,

restos desse lixo apreendem do ar todo o lodo, toda a terra solta, despida, terra queimada e pele diluída em desalinho difuso, pele invisível em partículas quebradas,

reunindo as estratégias num episódio frugal, que faz concorrer entre si toda a incosistência animal reescrita nos livros de História a cada dia que passa.

© Ruben P. Ferreira

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