Livros espalhados pela casa 2




Gostava de ter os livros assim arrumados, num aprumo similar. Reflexo de disciplina, a pedir uma consulta demorada, sentar no chão e desfolhar em silêncio, recolhendo as palavras, como se cada gesto tivesse um ensaio prévio que o preparasse para tal privilégio. Com o espírito embrenhado no conhecimento do mundo. Tenho-os, no entanto, empilhados pelo chão da casa nova, a pedir colo e ordem nas prateleiras. Do ensaio de Baudelaire à poesia de Auden, acotovelam-se pelos cantos, a quererem agarrar-se às paredes. Ouço-os, e, por enquanto, não lhes ligo nenhuma. [Ruben P. Ferreira]

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