Papel

O único lugar de chegada, de ouvir as braçadas dos dias correr contra o vento que se queda sobre a janela, envolto numa gravura de areia voando sobre o corpo torcido de folhas amarrotadas a um canto da sala, enquanto uma lâmina corta os últimos resíduos de carvão e os prepara para o fogo, a pedir da lenha um pedaço de papel, agora, para que a chuva seja perpétua, logrando a sua voz com uma terminação flutuante, a voz desolada a vociferar o medo, com receio da justiça, do mal que a rodeia conter um resíduo em vez de néctar doce levedando a garganta arranhada pelo frio, como um verdadeiro líquido reparador, por isso o medo, contagiado pela nostalgia de algures na eternindade o tempo acabar, destruído o muro de suporte; é bom fugir por estradas e ruas estreitas entre os muros das azinhagas por onde corre uma luz que os atravessa, a entender a espessura do vidro e das paredes, transparência que separa do dia a noite a cair sobre os céus sem esperar nenhum modo diferente de funcionar, de compreender finalmente a corrida de uma gota de luz pendendo sobre o corpo, envolvida numa capa de bondade a tua voz muda luta pelo lustre de uma consquência boa, som de melodia equilibrada inserida de um modo profundo na sede das emoções, a pisar a largura do manto de massa líquida de uma vivência tomada como símbolo rigoroso de um majestoso constraste entre o bem-estar e a dormência, ao longo de uma estrada um planeta rodeado de vegetação que esconde corpos, protegendo-os da simulação de uma voz rouca de um inverno chegando repentinamente, um apainelado de olhos observando o outro lado da secretária onde estão depositadas as folhas e as canetas que escrevem caídas à espera de mãos que as segurem, para que agudas massas de inspiração tornem à sapiência da imaginação, manchas de um significado elementar que busca uma concepção na omoleta de duas peles alinhadas em paralelo para, um dia, converterem-se numa única película.

© Ruben P. Ferreira

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