«O caminho faz-se caminhando»

Sabemos que estamos no século XXI, quando vemos Mário Soares e Clara Ferreira Alves a fazer um périplo literal pela história dos bairros degradados (ou nem por isso), e sociais, construídos nos arredores de Lisboa, os primeiros depois da «descolonização», os segundos mais recentemente, na ânsia de alojar os desfavorecidos [e, sabe-se agora, não são apenas «desfavorecidos» que vão para ali morar]. «Aqui estamos, na Cova da Moura», ou, «aqui estamos no Casal Ventoso», ou, «aqui estamos na Quinta da Fonte»; duas pessoas que vivem longe daquela realidade a serem cumprimentados pelos transeuntes, moradores ou passantes, a ficar chocados com a venda de droga em plena luz do dia, e à frente dos seus olhos. Percebe-se que estamos no século XXI quando se observam duas figuras que, quer se goste quer não se goste, são intelectuais, obrigam, ajudam e forçam o povinho a pensar, naqueles lugares e naqueles preparos, a olhar para todo o lado (pudera!). É divertido, no mínimo, e peremptório para confirmar a ideia de que, de facto, os paradigmas (em Portugal), estão a alterar-se. Destaco a ideia de Mário Soares, sobre a arquitectura «social», que considerou «excelente», e uma frase de CFA, ao dizer para o seu interlocutor, que se tivesse melena estaria a debater-se com ela por causa do vento, no centro da 'meia laranja', outra maravilhosa designação para o Casal Ventoso: «isto [as seringas, o lixo, os resíduos e vestígios do consumo ilegal de droga no meio da rua] já se limpava, ou não?» Porreirinho. [RPF]
P.S.: «O caminho faz-se caminhando» é um programa da RTP1, conduzido por Clara Ferreira Alves, que conversa com Mário Soares sobre uma multiplicidade de assuntos e temas, numa multiplicidade de lugares relacionados. As «viagens» podem ser concretas, estando nos lugares, ou virtuais, sobre os mesmos, em referência.

 

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