«O seus pés molhados de suor na noite. Sentia a presença da pistola automática, do gado, do arame farpado, dos dados, desse cavalgar a extensão da noite sem uma luz, dos bares mergulhados na noite do descampado.
Apagou todas as luzes do quarto e deitou-se no chão entre as duas camas. Os pés molhados do suor. Carregou no botão do gravador e Stevie Wonder respondeu com a escuridão: «Songs in the Key of Life».
Reparou numa pintura apache feita com areia, que aparecia na parede vinda sabe-se lá de onde. Cores da terra: areia laranja-pálido, flores silvestres cor de chocolate, uma gota de azul-pálido.
Podia ver uma vaga cintilação de madrepérola tremeluzindo na coronha da pistola. Veios de luz rosada. Rodando em espiral. Podia ver o seu próprio coração.
Sentia a ligação demoníaca de um homem pela mulher que era sua.
Apagou todas as luzes do quarto e deitou-se no chão entre as duas camas. Os pés molhados do suor. Carregou no botão do gravador e Stevie Wonder respondeu com a escuridão: «Songs in the Key of Life».
Reparou numa pintura apache feita com areia, que aparecia na parede vinda sabe-se lá de onde. Cores da terra: areia laranja-pálido, flores silvestres cor de chocolate, uma gota de azul-pálido.
Podia ver uma vaga cintilação de madrepérola tremeluzindo na coronha da pistola. Veios de luz rosada. Rodando em espiral. Podia ver o seu próprio coração.
Sentia a ligação demoníaca de um homem pela mulher que era sua.
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San Marcos, Texas»
[«Crónicas Americanas», ©Sam Shepard, Difel, pag. 59]
[Ruben P. Ferreira]
