Uma coincidência, como direi, «gira»


Na Sábado, Miguel Esteves Cardoso, em tom confessional, diz que, «N'O Independente, o Pedro Paixão reescrevia-lhe as crónicas. Ela não sabe escrever mas é simpática». Fala de Margarida Rebelo Pinto. Na Visão, a propósito duma reportagem sobre acidentes vasculares cerebrais, em que a dita escritora aparece em discurso directo uma única vez -- por ter sofrido um AVC -- julgou-se que o facto era suficiente e merecedor de destaque para o primeiro plano da capa, e para fazer a abertura do artigo, em página dupla, ao alto (uhh!) -- onde está transcrito o tal extenso depoimento com três singelas frases. Digam lá se «Não há coincidências» divertidas e reveladoras. Mas para não pensarem que estou a ser injusto, transcrevo o depoimento. Reza assim: «Fiquei tão mal que me atirei para cima da cama. Senti-me a flutuar, a sair do meu corpo. Achei que estava a morrer e não podia ser. Peguei no telefone e pedi ajuda.» Dúvida: como é que alguém que está a morrer -- e que tem plena noção disso -- consegue pegar no telefone e pedir ajuda? MRP consegue, e por essa razão merece todo o meu respeito e compaixão. O mesmo não poderei dizer de quem faz estas escolhas editoriais manhosas. [Ruben P. Ferreira]

 

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