Luz funda


Compreendo a indignação do Eduardo e de todos os assinantes da petição. No meu caso, já dei para esse peditório quando o Bailado da Gulbenkian acabou. Lamentei a decisão e não ouvi o coro de vozes manifestar-se, como agora, quando são as Letras que estão em causa. Pelos lados da Avenida Calouste Gulbenkian, as decisões tomam-se de um modo estranho, pouco coeso, lesando defitivamente a população da Área Metropolitana de Lisboa e, por que não dizer, o país. Consequência, talvez, de uma cultura imbecil. Ou da ausência sequer de cultura. Poderei algum dia voltar a assistir a uma festa da dança contemporânea num dos melhores auditórios para o efeito? Dificilmente. Tenho de contentar-me com a música Clássica, de Câmara, Barroca e com o esforço hercúleo dos bailarinos despedidos, que criaram companhias, a maior parte delas experimentais, alguns associados em apresentações no medíocre Teatro Camões. Não me surpreenderá que a Colóquio/Letras perca uma das suas mais emblemáticas directoras. A decisão, a ser tomada, fará juz à tal moda burocrática e cínica que serve de justicicação a toda a espécie de argumentação, mesmo se abjecta, disfarçada de modo contemporâneo de agir. É disso mesmo que se trata, de uma questão de tempo. [RPF]

 

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