E depois, então

Uma pessoa esforça-se e esbarra constantemente em «coisas» que lhe passam ao lado. Umas vezes ainda tenta fazer o esforço e perceber a razão do dito «espalhanço». A maior parte esquece-se, o ritmo atropela a vontade de tomar uma atitude. Aliás, a atitude é uma «coisa» demasiado valorizada. Haverá melhor «coisa» do que negar o querer tomar uma atitude? Há, é esquecer que é preciso ter atitude. Desperceber, é isso mesmo, o melhor é não ver, nem sequer pensar nisso, naquilo ou naqueloutro, porque se fôssemos pensar muito [nisso, naquilo ou naqueloutro] chegaríamos à brilhante conclusão de que isto está completamente errado, de que a conversa de a malta ter de ser humilde e razoável quanto ao perceber que o que acontece com os outros não pode acontecer connosco, porque ninguém é garante, ninguém quer corroborar a versão, isso mesmo, essa ideia de que afinal não podemos é a mesma conversa que permite que se encham as prateleiras das livrarias com livros pretensamente cultos. O resto, bem o resto é um facto com anos de gestação: se fores meu amigo, teu amigo te tornarás. [Ruben P. Ferreira]

 

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