Herdade da Servas 2004 Reserva - Prova Sensorial

Depois de alguns meses a provar vinhos, posso agora escrever sobre o assunto com outra impressão. A leitura de «Mondovino - Gosto e poder no mundo do vinho», de Jonathan Nossiter (Sextante) e de tantos outros livros, no meio da atenção que o fenómeno merece, ajudou-me a arriscar agora uma crítica ao Herdade das Servas Tinto Reserva 2004. Deixarei de lado as comuns notações, embora mantenha a estrutura-base da nota de prova sensorial. Fui nitidamente influenciado pela questão da ausência destas, e decidi libertar-me desse ónus. Estou mais alerta para a questão do «terroir», o que me permitirá apreciar um pouco melhor vinhos mais complexos e nem sempre fáceis de entender ou de gostar. Aviso que a minha estratégia de abordagem aos vinhos está em «progress». Portanto, deixo aqui o registo da prova, agradecendo desde já à Adega Herdade das Servas. De todas as solicitações realizadas, foram os únicos a responder afirmativamente ao desafio. Bem hajam por isso. Em todo caso, quem quiser fazer parte de futuras provas, pode enviar email para a morada acima.

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Prova Sensorial


Vinho: HERDADE DA SERVAS Reserva
Colheita Seleccionada: 2004
Produtor: Adega Herdade das Servas
Região & País: Vinho Regional Alentejano Portugal
Preço: A designar

Produzido a partir das castas: Cabernet Sauvigno, Touriga Nacional, Aragonez e Alicante Bouschet
Aparência: Tonalidade rubi-granado, escuro
No nariz: Notas suaves de chocolate e frutos do bosque. Alguma acidez, atenuada por notas almiscaradas de especiarias e compota. Revela boa consistência e mesura.
Na boca: Encorpado, quase que se 'mastiga'. A uma aspereza inicial - um pouco doce -, contrapõe-se uma maciez final - um pouco amarga - e um bom 'bouquet'.
Final: O sabor a madeira não persiste no nariz mas mantém-se, mais tarde, na boca.

Impressões gerais: Um vinho bem elaborado, com algum «terroir», que 'flutua' entre o sabor a madeira, a fruta, mantendo uma frescura mineral. A doçura inicial dá lugar a uma acidez final que lhe confere grande identidade. Não é um vinho completamente doce, embora seja aveludado e ávido. Adquire diferentes tonalidades ao longo do tempo em que é bebido. O elevado teor alcoólico (15%) não é completamente perceptível de início, embora se sinta mais tarde. É um vinho com grande longevidade que acompanha bem carnes vermelhas, queijos, caça e enchidos.

 

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