Por favor, aguarde a sua vez


Com o meu pai aconteceu o mesmo. Diagnóstico, espera de um tempo (três meses) pela operação, porque os cuidados médicos em Portugal ou são bem pagos ou espera-se, ou se tem uma agenda com os telefones certos. No dia, no exacto dia, naquele dia, já tarde claro, quando os médicos o abriram, surpresa das surpresas, descobriram que o cancro se tinha alastrado. A partir daí fizeram gestão dos danos -- a melhor possível, obviamente --, provavelmente conscientes de que a espera, motivada pelas alegres festas natalícias e de ano novo, tinham retirado as hipóteses a mais um. Infelizmente para ele, que rumou ao IPO (em Lisboa) durante cerca de dois anos para realizar tratamentos de quimioterapia, e morreu em 1994, o Herceptin era uma droga apenas disponível nos EUA, que ainda se estava a desenvolver, aplicável a pacientes com cancro da mama e do útero. Contudo, destaco o comportamento dos médicos, de prolongamento e espera, em vez de actuação imediata e resolução, que também se passou com a autora do artigo mencionado. É que acabar os dias numa Casa de Saúde chique de Cascais, embora possa parecer simpático, é uma coisa demasiado triste para ser verdade. Sobretudo, aos quarenta e poucos anos.

 

Quantcast