Falar de arquitectura



Invocando a ideia das 'velhas tertúlias', a Ordem dos Arquitectos - Secção Regional Sul, organizou ontem, na sede da Ordem dos Arquitectos, em Lisboa, o primeiro encontro "WHAT ARE YOU DOING?". Um convidado e três outros arquitectos irão ali apresentar um ou mais trabalhos que podem estar numa fase embrionária ou já concluídos. A experiência repetir-se-á na primeira semana de cada mês, disponibilizado 13 minutos a todos os arquitectos e membros da Ordem que o quiserem fazer. O motor central desta iniciativa é permitir que a assistência possa 'intervir' e manifestar-se de uma forma crítica, coisa difícil nas sessões habituais de conferência. A perda essencial de alguns formalismos, não só pela organização da plateia em mesas, mas também pelas bebidas disponibilizadas, Vinhos da casa Aliança, cria o efeito pretendido: como se a discussão estivesse a ser realizada num atelier, com amigos e conhecidos. Se isto não é uma belíssima forma de conversar sobre arquitectura, e a vida em geral, não sei o que será. Na sessão de ontem, o arquitecto convidado foi Manuel Aires Mateus, tendo falado por último. Como sempre faz, reflectiu sobre a ideia de habitar, sobre a questão da memória na arquitectura (e na construção), e sobre como se pode requalificar um espaço ou lugar mantendo a sua identidade. Nadir Bonaccorso foi quem primeiro abriu as 'hostilidades', com a apresentação de esquissos e maquetas de um projecto de construção de 10 casas. O modo de apropriação do lote, a dicotomia entre espaço público e privado, comutada pela introdução de rampas de ligação entra a rua e a casa, foi um dos detalhes mais interessantes. Cláudio Vilarinho apresentou igualmente um projecto para a vila de Arroilos, baseado na distorção de uma malha da tela utilizada na feitura dos tapetes que, aplicada no terreno, se transforma em caminhos que ligam diversos lugares, criando uma nova arborização a par de uma muralha em pedra, de alguns moinhos, de uma igreja e de um aglomerado urbano. Houve outra dupla a apresentar o projecto de uma creche e jardim de infância em Tavira, cujo nome se me varreu inexplicavelmente. O projecto era baseado em 'linhas de força', definindo numa das frentes (sul) um alçado cego e uma rua, e dois pátios internos, encimados por um corpo que pousava suavemente, de forma perpendicular, sobre o anterior, o tal alçado linear para a rua. Muito interessante a maneira de colocar envidraçados para que crianças de diferentes idades se possam ver, embora não se ouçam, e a abertura dos espaços internos do edifício para os pátios exteriores. E assim, ficamos à espera da próxima sessão, no dia 2 de Abril, com o arquitecto Pedro Domingos como convidado.

 

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