O Twitter

Temos então de começar a conjugar o verbo twittar, por isso,

Eu Twitto
Tu Twittas
Ele Twitta
Nós Twittamos
Vós Twittais
Eles Twittam,

porque parece que é no twittar que está o ganho; quantos mais twittas mais arrebitas; se twittares como ninguém, nunca serás um palhaço sem vintém; quem twitta teu amigo é; twittar é a criação de sobressaltos na internet do vizinho; atrás do twitter correm os twitters; a bom twitter, não falta sela; não deixes para amanhã o twitter que podes escrever hoje; twitta e saberás twittar; quem twitta sempre alcança; há twitters que vêm por bem; cada twitter no seu galho...
Isto para referir com jeitinho que me abomina um pouco a ideia de ter de concentrar toda a minha inteligência em 140 caracteres, de ter de escrever um perfil para poder sociabilizar com outras pessoas, e de ainda por cima ser seguido por essa gente despocupada que também twitta.
Gosto pouco de ajuntamentos. Prefiro a paz do lar e os jantares com família e amigos. E não compreendo esta necessidade de contacto prefigurada pelas tão famosas redes sociais. Em que é possível o tio da minha prima ser amigo e 'follower' da sobrinha do avô da minha tia afastada em terceiro grau que vive em Fornos de Algodres, numa casa rodeada de pasto para cabras e vacas, com o essencial notebook e uma ligação à internet cheia de megas.
Agora a sério, qual é a razão de tanta gente querer ser amiga de tanta outra gente que desconhece? Quando chego para jantar com amigos e apenas conhecidos, parte do interesse é de no jantar nos encarregarmos de esclarecer questões que poderão, espero, esclarecer os curiosos ou, pelo menos, distrair os meticulosos, quanto a quem somos. Mas não, agora não, agora se queres jantar, twittas, se caminhas para uma festa, twittas, se queres ir a um concerto e percebes que perdeste as chaves de casa, twittas, se vais apanhar um avião e queres dar um recado de última hora à comunidade, twittas, se tens uma vontade súbita de defecar, esperas que passe e continuas a twittar, ou se não conseguiste aguentar ficando impedido de ter acesso ao portátil, pegas no telefone ou no pda e twittas enquanto estás sentado na sanita. Não podes é estar sem twittar. A tua vida não faz sentido se não twittares. O princípio é o mesmo daquele apresentado na publicidade de uma marca de telefones, em que a criatura desfalece quando se retira a pen da internet do computador portátil. Publicitários que andam a consumir estupefacientes, obviamente.
O paradigma do twittanço, contudo, aparece na chamada «literatura twitter», que é um tipo de literatura de frases-chave, e a contenção, bem, o dizer tanto em tão pouco espaço, que maravilha. Com franqueza, começo a pensar muito seriamente em escrever um post com 1,245,389 caracteres só para contrariar.

 

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