Sem couvert

E já não é a primeira vez que me sento à mesa de um restaurante e sou todo ouvidos para uma certa espécie de corrupção. Em Lisboa acontece-me o mesmo, embora com mais frequência. Isto aflige-me. Descobri que a corrupção pode ter bom gosto, e isso afina o diapasão da melindragem. Faz comichão. O problema é falarem falar muito alto e serem constantemente mais do que um ser. Sabe-se que quatro pessoas podem formar uma conspiração, certo? Telefonemas que começam com, 'mas veja lá isso, eu quero resolver as coisas', 'ouça, fale com a pessoa, ele que me ligue, mas assim não pode ser', e mais um ror de frases trabalhadas de modo a fazer o que tem de ser concretizado com a plenitude que a verdade (ou a mentira) exigem. A malta que se corrompe gosta de comer bem, e assinalo o facto com pesar. Fazem bastante barulho, e isso também me incomoda. Além de ocuparem uma boa parte das melhores mesas porque chegam regularmente mais cedo do que eu.

 

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