Acto de escolher

Retornei hoje à Feira do Livro de Lisboa. Manuel da Silva Ramos estava na Praça Leya. Vestia camisa branca, calças pretas, cabelo grisalho cortado longo, falava com escritores, gente da editora, pegava em livros, recordava os dias em que se fartou de França, quando rumou à América Latina. Quase que comprei um dos seus livros para que o autografasse. O lugar estava menos cheio. Aliás, a Feira hoje, ao final do dia, estava composta para quem aprecia procurar certos títulos sem enchentes, encontrões e crianças derrotadas pela exaustão. Folhear sem ter um ombro a empurrar para o lado. As prateleiras laterais foram lugares de grande busca de uma boa parte dos visitantes, pois ali encontram-se verdadeiras pechinchas. Mas houve quem, como da última vez, comprasse sem restrições. Recordo um interessado em psicologia, quarenta e poucos anos, pagou em «cash», uns cinquenta euro de uma vez. Estava alheado e alheado ficou quando lhe ofereceram uma mochila. Hoje, uma moça escolhia no quiosque da Assírio & Alvim, enquanto do outro lado, no quiosque de livros manuseados da mesma editora, o mesmo livro se podia levar por €10. Interessante, divertida a dicotomia. O calor assolava as pedras da calçada, e foi por essa razão que me detive sobretudo nesse mesmo quiosque. Para resgatar à banca o que lá tinha deixado da última vez. E assim, uma 'sessão gastronómica', com os seguintes protagonistas:



«Cozinha Indo-Portuguesa - receitas da bisavô», de Maria Fernanda Noronha da Costa e Sousa, que me fez desejar voar daqui para fora;
«125 Vinhos - escolha de Alfredo Saramago», que me fez lembrar um certo almoço;
«Culinário 2009», para testar novas receitas todos os dias -- livros da Assírio & Alvim.

 

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