Almoçar devagar


Já não ia à «Triunfante do Conde Barão», um restaurante marisqueira próximo de Santos (em pleno «Santos Design District»), há quase dois anos. Era onde celebrávamos as entregas na faculdade, ou ali rumávamos quando fazer 'directas' implicava que nos mimássemos com pequenos luxos, para voltar à labuta pouco tempo depois. Ali, a gastronomia pertence àquele patamar secular de quem nunca esquece o que é melhor para nós, com uma ementa rica e diversificada que faz um bem incrível. Quando se entra já se sabe que está tudo na mesma, apesar de terem passado dois anos. As mesas, a cozinha, o balcão com as sobremesas em exposição, a limpeza e o ambiente semi-confessional, de quem peregrina na direcção certa porque sabe ao que vai, para apreciar cada instante. O bacalhau com grão, o bife alto com a batata-frita cortada às rodelinhas finas, o frango estufado, o ensopado de borrego, o polvo pequeno na grelha acompanhado de grelos salteados, as pescadinhas de rabo na boca com arroz de tomate, a salada muito fresca, isto tudo servido por gente tão dedicada e interessada em servir-nos o melhor possível (coisa cada vez mais rara), a ponto de ficarmos comovidos. Pois bem, o menu incluiu a pescadinha de rabo na boca (fresca, fresca) e não consegui resistir à torta de chocolate, cujo paladar evocou a torta que em tempos idos a minha avó elaborava em número de três por cada fornada, bastava pedir-lhe -- tenho a receita para experimentar, quando o fizer, passo-a para a página das respectivas. Ia com água na boca para voltar a provar o bolo de chocolate, espesso, amolecido por um creme de cacau muito suave, uma bomba calórica que demora, pelo menos, três quartos de hora a deglutir. Tinha acabado. Volto lá amanhã.

 

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