De quem é a culpa?


Estando ou não mais distraídas, as crianças estão, pelo menos, diferentes. Os pais idem. Cursos e educação parental são realizados para que aprendam a lidar com a criançada. Tal é o ritmo de ocupação e, quem sabe, «distracção», relativamente aos filhos. A hiperactividade cerebral é um facto assumido, a necessidade da ligação constante aos amigos pela tecnologia uma mola de força. Quem não o faz está off. Recordo Manoel de Oliveira numa entrevista, em que confessava que 'agora as pessoas deixaram de estar umas com as outras para falarem ao telefone'. Há radicais, gente que exagera, as palavras do cineasta, contudo, revelam alguma sabedoria. E os miúdos estão nesta equação educativa marcada pela tecnologia para progredir, ou é isso que os pais desejariam perceber quando os deixam à mercê da escola e da sua 'pedagogia', que é nenhuma se não existirem parâmetros domésticos, cada um com a sua especificidade. Mas, como já tantas vezes disse a socióloga de plantão aos portugueses, Maria Filomena Mónica, a inteligência ou se tem ou não se tem. Ou se trabalha, ou não se trabalha. Independentemente da quantidade de neurónios, do meio, que também pode determinar um percurso de vida, a inteligência é um ganho acrescido porque se usada garante uma certa paz de espírito -- e não necessariamente um futuro promissor e abastado. Gosto do título desta notícia. É verdadeiro: a culpa é e sempre foi dos pais.

 

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