Depois do lagarto morto


«O que distinguirá esta história é a capacidade de Adiga ao misturar três universos sociais e políticos opostos num único livro. EUA, China e Índia, numa dança de civilizações em queda e ascensão, unidas por fortes laços comerciais. O protagonista desta história está num quarto sozinho a zurzir aos ouvidos do mundo e a enviar emails a um alto responsável do governo chinês num tom confessional. Num país onde um sistema religioso de castas determina a qualidade dos cidadãos e uma servidão pueril da classe média, esse alguém mudou de vida. Esta mudança foi realizada contra o sistema, depois de um crime hediondo e supõe uma alteração de paradigma – aceitar a pobreza e ainda agradecer. O senhor Ashok comenta com Madame Pinky que ali, na Índia, podem ter criados a levar-lhes bolachas e chá à cama. Em Nova Iorque, ele teria de conduzir o seu próprio automóvel. Vem daí a necessidade de contratar motoristas, e é aqui que Munna aparece a lutar pela vida e a considerar-se homenzinho por ter um ordenado relativamente baixo, em parte remetido à família de sangue, que o queria forçar a trabalhar numa casa de chá. Premiado com o Man Booker Prize em 2008, este romance dá a conhecer o momento em que uma Índia subjugada aos meandros da subcontratação norte-americana se transforma numa sociedade mais violenta. É essa, pelo menos, a opinião do autor.


Título: O Tigre Branco

Autor: Aravind Adiga

Tradução: Alice Rocha

Editora: Editorial Presença

Preço: €15,00

Classificação: 4,5 estrelas


Prós: Improbabilidade da história, que desvenda um país; Consistência do enredo e das persongens; tradução

Contras: Não tem»


[texto publicado no nº 74 (Abril de 2009) da Revista Os Meus Livros]

 

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