A ideologia dos ‘ismos’


«Se alguns críticos literários em Portugal não estivessem apenas interessados nas suas carreiras literárias e nas dos seus amigos, a livre concorrência entre sugestões de leitura poderia melhorar a qualidade da edição lusa. Se as editoras fossem mais livres e diferenciadas, poderiam evitar depender da cumplicidade mantida com esses críticos, revelando maior autonomia, privilegiando a criatividade e a excelência, em vez de a mediocridade e a repetição. Este exemplo é uma extrapolação (cruel) sobre a definição do gosto, que tem, como a manutenção do poder pelo Estado, analisada por Friedrich Hayek (1899-1992), uma tentação implícita: a regulação. E de pela regulação constituir uma sociedade adaptada às necessidades de uma determinada ideologia extremista. O que Hayek defende, escrito em 1944, portanto, antes da finalização da Segunda Grande Guerra e a seu propósito, é que esta ideia de policiamento e intervenção é um erro cometido pelas esquerdas e direitas, sobre duas formas políticas distintas, e igualmente opressoras: o comunismo e o nacional-socialismo. Como manifesto liberal considerado fundamental, faz a defesa de uma realidade social baseada na premissa de que a livre concorrência e a liberdade individual podem constituir sociedades mais pluralistas. Facto que um português pode negar com veemência e que o cenário económico contradiz.

Título: O Caminho para a servidão
Autor: Friedrich Hayek

Editora: Edições 70

Preço:
19,90
Classificação: 4,5 estrelas


Prós: Prefácio; oportunidade da edição

Contras: Certas gralhas e erros na tradução»


[texto publicado no nº 74 (Abril de 2009) da Revista Os Meus Livros]

 

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