A importância de ser ‘chaval’


«Onde é que se terá metido Pat Kinane? Essa é a pergunta que quatro homens fazem aos membros da Hermandad de la Buena Suerte. Compreendem a importância de encontrar aquele jockei de cavalos de corrida. Distingue-o o peso, o modo como consegue levar o Espírito Gentil a correr desalmadamente, talvez por ser o único que o consegue lançar para curvar de uma maneira eficaz para, na linha da meta, vencer a concorrência por dois ou três metros. Infelizmente, Kinane desapareceu e para trás só deixou quatro bilhetes que os levam ao lugar onde, estranhamente, privava com os membros daquela irmandade. Isso só não é uma tragédia porque o Príncipe, o Professor, o Doctor, o Comandante e o Dueño são uns grandes mafiosos cheios de dinheiro, até mercenários, capazes de realizar todo o tipo de expedientes para concretizar os objectivos a que se propõem. Uns por tradição secular e familiar, outros por mera vocação. Um facto: são todos cultos e partilham o gosto pelas corridas de cavalos, pelo jogo que por vezes os deixa sem fôlego e em êxtase. Distinguido com o Prémio Planeta 2008 (em Espanha), este romance/novela cumpre com beleza numa narrativa sólida. A constante introspecção do narrador não compromete o redil. São analisadas realidades, propósitos e vivências, numa perspectiva espiritual, com o mundo dos hipódromos, de que Savater é fã, em pano de fundo.
Título: La Hermandad de la Buena Suerte
Autor: Fernando Savater
Preço: €20,50
Classificação: 5 estrelas
Prós: Todo o encadeamento e estrutura narrativa
Contras: Não tem»
[texto publicado no nº 74 (Abril de 2009) da Revista Os Meus Livros]


 

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