'Coração, Cabeça e Estômago'



São raros os livros de onde se espelha a 'alma' de um lugar. A 'anima', que se repurcute numa linguagem cuidada, em boas fotografias, em bom papel, numa sinceridade a toda a prova que nos faz ter vontade de ler, meditar, decorar e voltar aos lugares descritos nas suas páginas. Fui ao distrito de Castelo Branco no passado mês de Maio, e já não ia lá desde miúdo. Embora ali tenha raízes fundadas, porque uma avó minha nasceu em terras beirãs, foi o primeiro momento em que percebi o lugar. E, ao ler este livro, este «Sabores de Aldeia», esta 'Carta Gastronómica das Aldeias do Xisto', de Arganil a Vila Velha de Ródão, com o Rio Zézere de entremeio, cuja edição esteve a cargo da Agência de Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto (com a Flint-Design), que recupera de um modo primordial as memórias culturais daquele distrito, senti-me novamente em 'casa'. Lembrei-me da pureza do ar, da honestidade da cozinha, da limpeza e simplicidade de quem serve. É que o cuidado desta edição também é enorme, e tal seria de esperar de quem nutre uma paixão intensa por aquelas paisagens de pedras, calhaus gigantes e montes verdejantes, de água límpida. A pesquisa histórica é densa e exaustiva, para que o leitor perceba as origens modestas, embora sofisticadas, do receituário beirão, as variadas citações e a bibliografia, exigem leitura atenta e consulta posterior obrigatória. Como se isso não bastasse, somos brindados com um leque variado de receitas (com os alimentos muito bem fotografadas), que em vez de requererem, exigem, experimentação absoluta. Sopas, Caldos, Peixes, Carnes, Enchidos, Bolos e Doces, um fartote. Palavras para quê? «Sabores de Aldeia - Carta Gastronóminca das Aldeias do Xisto», está à venda nas FNAC's. Façam o favor de se mimarem com um exemplar.

 

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