Trabalhar cansa. Ou não?


«O que poderia o leitor fazer se não estivesse a trabalhar? Nada? Embora aqui não se ofereça nenhuma sugestão para a ocupação de tempos livres, nem se faça a apologia de ‘não trabalhar’ (como n’«A Economia Parasitária», de Raoul Vaneigem, Antígona), a análise desta ‘viagem’ é extensa o suficiente para deixar qualquer um em modo de alerta acerca das suas motivações. A perspectiva é a de outros ensaios, a experiência pessoal de Botton no contacto directo com as realidades sobre que pretende reflectir. Tanto pode receber um convite de um jornal Eslovaco para assistir a uma feira sobre aviação, como visitar um pesqueiro especializado na pesca ao atum, descrever a morte do bicho com particular detalhe e forçar a analogia com a posta bem apresentada numa refeição gourmet. Tanto pode visitar um cemitério de aviões, como tentar perceber porque razão a ingestão de certos biscoitos evidencia preguiça colectiva ao nível do pensamento. Porque vai conseguir expor um argumento. A concretização de tais projectos sugere uma leitura sobre o universo das relações laborais e o seu significado. Como esta: «é verdadeiramente significativo que adultos ilustrados nos livros para crianças raramente sejam, se é que alguma vez, Directores Regionais de Vendas ou Engenheiros Civis.» O trabalho ocupa tempo, e Botton quer saber como andamos a gastá-lo.
Título: The Pleasures and Sorrows of Work
Autor: Alain de Botton
Editora: Penguin Books
Preço: €14,50
Classificação: 5 estrelas
Prós: Tema; enquadramento filosófico; inclusão de fotografias ilustrativas
Contras: Nenhum»

[texto publicado no nº 76 (Junho de 2009) da Revista Os Meus Livros]

 

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