A forma e o conteúdo


Um dos livros a que recorro com regularidade para realizar a 'higiente mental' é, «Os Livros da Minha Vida», de Henry Miller. Na excelente tradução de Ana Bastos, com a chancela da Antígona. Ora, ainda não passei o prefácio (provavelmente, pela enésima vez), e é como se já tivesse a corda na garganta, tal a profusão, qualidade e amplitude da análise. A dado momento, Miller, que esteve nas páginas anteriores a perambular sobre o valor da escrita, da leitura e da literatura, vulgo comparação, antes de se comprometer com a descrição dos livros que deseja relevar e esmiuçar, diz: «o que principalmente me motiva nesta tarefa vã é o facto de, em geral, sabermos muito pouco acerca das influências que moldam a vida e a obra de um escritor. Estou do lado da revelação, se não sempre do lado da beleza, da verdade, da sabedoria, da harmonia e da perfeição em constante evolução.» Não podia haver melhor mote para chegar à lista de livros a ler, mencionados nos dois Apêndices, 392 páginas mais tarde.

 

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