Coisas que acontecem 2


Ontem à noite, o carro do meu irmão ficou todo partido depois de levar com um veículo da PSP em cheio, quando saía de uma zona de estacionamento junto a uma paragem (de autocarro) próximo da zona da Madre de Deus, em Lisboa. Sete carros de polícia (que por lá passaram) mais tarde, com respectivas equipas e membros, ele escreveu no auto pretender estar a realizar uma «inversão de marcha» quando se deu o acidente. Embora não estivesse, de facto, a fazê-lo. O poder intimidatório da polícia é claramente uma 'arma'. Quando convém, e no que lhes diz respeito, convém sempre, para evitar a responsabilidade e fazer acrescer ao cidadão o ónus, a culpa. Na realidade, o carro do meu irmão estava ligeiramente de lado, portanto, alegadamente, tanto podia estar a sair daquele lugar para seguir em frente, como podia estar a realizar uma manobra de inversão de marcha, quando a viatura da polícia que circulava em excesso de velocidade lhe embateu na parte de trás do automóvel, junto à roda traseira, ao eixo (que foi para o galheiro), e de tal maneira que o airbag lateral do carro dele disparou. Isto apenas sucede acima dos 70 km/h. Escusado será dizer que o carro da PSP ficou bastante destruído, vulgo, sem frente, o que, deduzo, obrigará a uma boa justificação para prevenir o polícia de pagar os danos. Ora bem, não tendo havido testemunhas (vamos lá ver se não aparecem agora testemunhos novos proferidos por senhores agentes da autoridade), gostaria de realizar algumas perguntas bonitas: quem vai multar o polícia por circular claramente em excesso de velocidade? Quem vai retirar a carta ao polícia por ter colocado em risco a vida de um cidadão? Quem vai provar que o polícia e os seus amigalhaços intimidaram o cidadão a escrever no auto uma coisa que, não tendo acontecido, não podia ser tomada como facto? Pois, bem me parecia que a situação se vai inverter de tal maneira que o cidadão vai pagar a conta sem, no entanto, o dever. Aliás, depois de saber disto lembrei-me imediatamente do célebre acidente na Avenida da Liberdade, ocorrido na passada semana, com as viaturas oficiais do secretário-geral do Sistema de Segurança Interna e juiz-conselheiro Mário Mendes, que pertencia ào Ministério da Administração Interna, e uma outra da Assembleia da República (parece que de Jaime Gama). Qual vai ser a versão que constará do auto realizado pelo Comando Metropolitano de Lisboa da PSP? A que melhor convier a ambos os serviços, porque, neste caso, não estamos a tratar de cidadãos comuns, mas de pessoas de gabarito? Deveria ser uma afirmação, não é verdade?

 

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