Fazer o ski


Embora a Serra da Estrela ainda não esteja (e talvez nunca venha a estar) na rota internacional de quem pratica desportos de inverno, é uma opção a considerar por quem ambiciona iniciar-se nas lides. Frequentada sobretudo por portugueses e espanhóis, é um lugar que consegue aliar uma paisagem singular, uma forte vertente gastronómica, disponível nos restaurantes, nos produtos regionais (queijos, enchidos, doçaria regional), isto tudo a par da prática de um desporto violento do ponto de vista físico. O que poderá ser melhor para terminar um dia intenso de ski do que a degustação de um belíssimo bacalhau com broa, com uma tábua de queijos e sobremesas a fechar o repasto? Dir-me-ão que assim é difícil manter a linha. É por essa razão que no dia seguinte se volta a querer descer e subir pistas com diferentes níveis de dificuldade, a fim de destruir as energias ganhas e repetir a dose na noite seguinte, num sem fim de experiências que o palato agradece. O pior que pode acontecer é sair-se dali com a mesma quilogramagem com que se chegou.
A Turiestrela, empresa que explora comercialmente a serra, oferece diferentes serviços aos potenciais esquiadores, desde equipamentos completos para alugar (botas, bastões, skis, pranchas de snowboard) a aulas particulares ou de grupo, forfaits (‘passe’ para usar os meios mecânicos de acesso às pistas) e a ajuda imprescindível de quem coordena a entrada nesses espaços, isto tudo com o alto patrocínio de uma operadora de telemóveis (Vodafone).
No que diz respeito à estância propriamente dita, o espaço de acolhimento é amplo e tem todo o tipo de skis e pranchas que especialistas e curiosos poderão usar – melhores do que em Espanha, isso é seguro. Quanto ao café/esplanada – porque, sim, o esqui exige pausas para beber chocolate quente e afins –, o espaço é curto quando uma enchente de fim-de-semana toma conta do lugar. Os preços praticados estão ao nível do aeroporto de Lisboa. Mais oferta diminuiria os custos e aumentaria a concorrência.
Por outro lado, a oferta ao nível da pernoita é mais extensa e variada. Quem desejar ficar na serra, a poucos minutos das pistas, tem disponíveis o Hotel Varanda dos Carquejais, o Hotel da Serra da Estrela e os Chalés de Montanha, todos com uma vista e localização privilegiados. Um pouco mais abaixo, já na Covilhã e arredores, a oferta também é generosa e com preços mais acessíveis. O que se poupa em estadia perde-se em minutos a subir a serra. Os clientes dos hotéis e chalés da serra, explorados pela Turiestrela têm outra vantagem: chegados à estância, podem equipar-se num lounge privado, onde também lhes é oferecida uma vista panorâmica das pistas e da serra: azul, para iniciados, vermelha – de grau médio-alto –, verde, de grau alto e preta, para especialistas, com grau de dificuldade muito elevado.
O que acaba por distinguir a Serra de Estrela de outras zonas onde a prática do ski é habitual será o ambiente. Em Portugal, é impossível encontrar os João Rendeiros desta vida, o que não quer dizer que não nos cruzemos com pessoas que consideram a ida à Serra da Estrela como um luxo de inverno. E, esse luxo pode ser vivido. Depende do lugar onde se fica hospedado. A multiculturalidade de Andorra e Sierra Nevada, bem como a exclusividade de Aspen ou Mègéve (na Áustria), estão ainda a uma longa distância. Em Portugal, a paisagem é diferente, a topografia do terreno mais acidentada e a rede de infra-estruturas reduzida. É preciso mais investimento. A haver vontade, a Serra da Estrela tem amplo espaço para o progresso, com a implantação de mais oferta ao nível da hotelaria, novas pistas, novos chalés, hotéis e novos restaurantes. Se não se seguir a lógica da massificação (de que sofre a Sierra Nevada) e se continuarem a disponibilizar serviços e programas de qualidade, a Serra da Estrela poderá continuar a evoluir para tornar-se um lugar de excelência para quem gosta de praticar desportos de inverno e não se pode deslocar ao estrangeiro, para aqueles que decidam variar, habitem ou não a Península Ibérica, decidindo ‘treinar’ antes de se aventurarem para outros países e pistas mais difíceis e dispendiosos.

[Atenção ao programa «Experiências de Inverno 2009-2010», com Descidas Nocturnas, Pacotes de alojamento que incluem Forfait e/ou material, Aulas de iniciação e Reciclagem de Ski e Snowboard, Passeios de Requetes pela serra e aos Programas Especiais de alojamento para as épocas de Carnaval, Páscoa e de Verão. Informações disponíveis aqui.]

Nota: Um especial agradecimento à Vodafone, ao Ricardo Abreu e a toda a sua equipa, pela atenção e disponibilidade prestados.
ONDE COMER:
Restaurante A Bebiana
Cozinha Regional e Tradicional Portuguesa
6250-112 Caria – Portugal
Tel: 275 476 259
Email: restaurante.bebiana@clix.pt

Comida muito bem confeccionada, serviço dedicado e preços razoáveis. Não perder o arroz de polvo, o naco de carne da casa, as sobremesas e entradas: os salgadinhos são excelentes, tal como as azeitonas carnudas. De enunciar também a carta de vinhos e o tinto da casa, servido em jarro, com uma qualidade muito superior à média. A sala é bastante ‘cosy’, decorada num estilo tradicional, com muita madeira à vista, e o ambiente é tranquilo. É fácil encontrá-lo. Sair da A23 na direcção Caria, sempre em frente até ver o painel luminoso com o nome do restaurante.

Preço: aproximadamente €30 (duas pessoas).
Encerra aos Sábados.

A Cozinha D’Avó
Clube de Campo da Covilhã
6200-024 Covilhã
Tel: 275 331 174

Trata-se do restaurante de uma estalagem localizada numa quinta no sopé da Serra da Estrela, a cinco minutos do centro da Covilhã. Para ali chegar basta seguir pela N18 até surgirem as placas a indicar o Clube de Campo da Covilhã, isto num entroncamento. Depois, seguem-se as setas com a mesma indicação até estas acabarem. Vira-se novamente, duas vezes, na primeira à direita, até encontrar o dito. Ementa a não perder: o Bacalhau assado com batatas a murro, o cabrito, o buffet de queijos e sobremesas, distinguem este restaurante acolhedor. A sala é ampla e o ambiente é um pouco mais exclusivo que o anterior (A Bebiana), por isso, também mais dispendioso, com uma preparação de mesa à medida. Vale a pena, mas corre-se o risco de encontrar famílias inteiras que foram esquiar, ou seja, crianças (muitas) numa mesa, e adultos noutra. Para perceber o resto, basta puxar pela imaginação. Um reparo: não têm vinho servido a copo ou em jarro.

Preço: aproximadamente €40 (duas pessoas), mais vinho.
Encerra aos Domingos ao jantar e à Segunda-feira

 

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