Os Meus Livros - Março (e última?)


A revista Os Meus Livros foi novamente suspensa. Já perdi a conta ao número de vezes que isto aconteceu. Se Santana Lopes fosse ‘vivo’, politicamente falando, claro, diria que atentaram novamente contra a vida do bebé na incubadora. Piada mazinha. Adiante. Para nós críticos, fica um amargo de boca. Foi ali que a maior parte se especializou, dando a sua opinião fundamentada sobre os livros que foi lendo, com o único rigor da crítica absoluta, legítima e capaz. Foi assim que o projecto da Os Meus Livros se tornou credível. Provavelmente, existiram argumentos muito fortes do ponto de vista económico para terminar de vez com a Os Meus Livros. Luís Penha da Costa justificou-o e acredito nas suas razões. A falta de leitores, de assinantes, de anunciantes, asfixiou a viabilidade da revista. Outros argumentos existirão que nunca nos passarão pela cabeça, mas o que fica é ser este o terceiro fecho de uma vida aos soluços. Quem faz comunicação tem de ganhar a vida, como qualquer um de nós, que participa no processo. Mas fico triste ao ver um grupo de comunicação com outros títulos deixar cair este. Embora seja difícil para o Luís, que sei que é, mete-me nervos que em cinco ou seis anos não tenha sido encontrada uma solução que tornasse a revista rentável e viável. Em 1830 dias, mais coisa menos coisa, não houve ninguém que se tenha lembrado de realizar um plano de negócio por fases, com cumprimento de objectivos, alternativas credíveis para superar dificuldades acrescidas e relações comerciais suficientemente fortes para estabelecer parcerias de inquestionável legitimidade e capacidade financeira? O bom senso determina que uma boa parte das revistas anglo-saxónicas tenha um prazo de validade que se estende por décadas. Por cá, cinco ou seis anos de duração parece ser a magna fasquia temporal. A loucura, meu Deus. O João Morales merece um louvor pela sua paciência, empenho e dedicação. Quero agradecer-lhe publicamente pela sua enorme generosidade. Veremos se a Os Meus Livros ressuscita. Até lá, as minhas críticas continuarão a ser publicadas aqui e, quem sabe, em outros lugares.

À atenção das editoras: poderão enviar um email para a morada electrónica no canto superior direito (clicar no link), e ser-vos-á remetida a morada para envio dos livros destinados a recensão.

 

Quantcast