Contenção, design e função


















Premissas lógicas como a preparação de um desenho arquitectónico contido são cada vez mais normais. Esta casa da ‘polémica’ (Cernín, República Checa), porque um vizinho ficou bastante irritado com a cor rosa do revestimento exterior, resolvendo questionar a legitimidade da construção, tem planos assentes neste pressuposto. Representa um conceito muito específico de vivência, completamente direccionado, e formulado, para ser apropriado por uma família. Concretização em detalhes concisos, como a ergonomia e a economia de escala e meios, numa ‘rampa’ que é ‘anfiteatro’ privado, espaço de lazer e elo de ligação entre todos os lugares (abertos) íntimos e públicos do seu interior. Uma arquitectura consolidada cumpre sempre um programa (a não-consolidada também, mas isso fica para mais tarde). Desafia a lógica dominante. A chamada de atenção que o revestimento em poliuretano, vulgo, esferovite rosa, empreendeu, destaca o lugar de adequação do desejo à dificuldade de o mesmo ser percebido. A percepção das pessoas não é estanque e varia. Jacques Derrida reflectiu sobre o tema: «architecture must produce places where desire can regognize itself, where it can live.» A redução ao essencial não foi apenas uma elaboração (fuga) para a frente do descontrutivismo. A desconstrução da ‘matéria’ depreende um conhecimento vasto da mesma, para que adquira novas lógicas de concentração. Uma casa com um projecto contido, contraria a ideia difundida do espalhafato formal. A economia de meios não é inócua. Para que as casas se adequem às famílias, a sua ‘escrita’, o seu modus, terá de contrariar o esbanjamento e centrar-se na função. No desenho de reforço da articulação entre a paisagem rural e urbana. (foto: Villa Hermina, na República Checa, da autoria de HŠH Architekti; «Rethinking architecture: a reader in cultural theory», Neil Leach, Routledge, 1997, London).

 

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